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01/02/26

POESIA

Helena Serôdio



                    DESESPERO



Desce lento o crepúsculo, meu amor,
Trazendo em si 
os meus sonhos alados,
num prepassar de rendas e brocados
em que me envolve toda, o teu calor.
É a hora das sombras. Teu ardor
vem até mim em gestos compassados
de figuras bizarras,  em bailados
de delírio febril e abrasador!
Por ti o meu amor se desespera,
numa ânsia incontida de desejos
que eu vivo inutilmente à tua espera.
A noite desce, acaba mais um dia,
os meus lábios procuram os teus beijos
e vivo uma vez mais minha agonia!...

 

   SENSUALISMO

 

Noites de Verão glorioso e ardente,
Noites só de luar e encantamento,
Com astros povoando o firmamento
Em que a lua é um facho incandescente!
Lá fora um ar embalsamado e quente,
Mas eu fico no meu isolamento,
Sofrendo uma vez mais o meu tormento
De estar sòzinha e te sentir ausente.
A solidão da noite me apavora,
Mas na febre de amor que me devora,
Perco-me loucamente a imaginar
0 teu corpo estuante de desejo
E teus lábios, no frémito de um beijo,
A minha boca rubra a desfolhar !


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