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01/09/21

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NO CORRER DOS DIAS

 Marques da Silva

Canal de navegação do rio Douro - Wkipedia


Ontem trouxe-te nacos do rio e das ruas, de paisagens que se viam ou adivinhavam. Hoje trago-te o rio todo, que é como quem diz, todas as outras imagens que a objectiva foi caçando ao longo da viagem. Nestes quatro dias, atraído pela luminosidade, mesmo que ténue, do sol, desci até essas águas que correm para o mar apertadas entre as margens. Caminhei por velhas ruas, pisei calçadas onde pedras centenárias sempre viram esse rio passar, ou adivinharam-lhe o percurso, dele terão ouvido falar noutros casos. Essas pedras, que a tanta vida já assistiram, quantos dramas viveram, de quantas vivências souberam, quantos amores esconderam, entre uma esquina e um recanto, entre a folhagem de um arbusto ou a majestade de uma árvore. Em certos dias, os homens esfregam-lhes a face, dão-lhe polimento para melhor parecerem, deixam-nas lavadas, mas continuam a ver o quotidiano passar e a anotar na sua memória quantos sonhos desfeitos, quantos desejos alcançados. A cidade já não vive tanto por ali, como em tempos passados, vai mais de visita, mais em sossego, em deleite contemplativo, escutando e tentando adivinhar os segredos do tempo. Assim fui também, interrogando uma pedra, dialogando com paredes antigas, espreitando o rio por entre as nesgas das casas que se erguem colina acima. Era o prazer de uma solidão acompanhada, no pensamento e na memória, dos presentes, dos que se viam, dos que sabemos próximos, dos amigos, dos que amamos, e na imaginação do desejo, dialogando sobre mundos que se constroem e nos ajudam a empurrar a dificuldade do presente. Há um momento que abraçamos o tempo, a paisagem, o rio, os sonhos e deixamo-nos arrastar pelo encanto do que não temos mas a memória alimenta. Subia em esforço, mas o que os olhos traziam compensava a fadiga. Hoje há um vento que abana as árvores como por vezes nos abana a vontade e nos enregela a alma. Hoje, a paisagem terá a tristeza do Inverno, não que tenha de ser melancólica, mas será coberta de tons de cinza, faltará a cor, as cores, os tons que dão alegria infinita às coisas e às pessoas. Amanhã, voo, irei pelos céus na satisfação de desejos platónicos. Cobrirei a memória com um manto de rainha e deixarei que o pensamento se solte à desfilada pelos céus. Por instantes serei eu próprio, sem destino, sem rumo, apenas voando, planando sobre tudo e sobre todos. Pássaro de asas largas, alimentarei os sonhos que acumulo na arca que transporto no sótão da vida. Há momentos em que o mundo é meu, não no sentido da posse, mas de estar nele, fazer parte dele, alcançá-lo com a plenitude de tudo o que oferece e cada um de nós saberá merecer. Depois, esta ave onde vou perde fôlego, baixa em voo rasante e deixa-me de novo onde nunca deixei de estar. Quando o sol voltar hei-de regressar ao rio, às calçadas do tempo.

 


MAHLER NO DIVÃ DE FREUD

 Mário Martins

 

Gustav e Alma Mahler

https://www.myguideberlin.com/events/geboren-alma-schindler

 

“A música, para além de uma perspectiva estética e filosófica, reflecte, simboliza e comunica aspectos da vida interior do seu compositor.
                                                                                                                                    Stuart Feder

 

O célebre maestro e genial compositor, o checo-austríaco ou, como ele dizia, o três vezes apátrida Gustav Mahler - "Sou três vezes apátrida! Como natural da Boêmia, na Áustria; como austríaco, na Alemanha; como judeu, no mundo inteiro. Em toda a parte um intruso, em nenhum lugar desejado!” –  não resistiu à tentação, depois de muito hesitar, desesperado com a sua vida (tinha-lhe morrido uma filha e a mulher, com depressão, tornara-se amante do arquitecto Walter Gropius, fundador da famosa escola de arte vanguardista alemã, a Bauhaus), de se deitar no divã do pai da psicanálise, o igualmente judeu e austríaco-checo, Sigmund Freud, sem naturalmente saber que morreria no ano seguinte, aos 50 anos.

Freud, que diagnosticara em Mahler um quadro de neurose obsessiva, não pôde deixar de ver no acto de, aos 41 anos, desposar Alma Shindler, vinte anos mais nova, uma substituição da mãe de Mahler, que era enfermiça e aflita, características que ele desejaria reconhecer na mulher, enquanto Alma buscara em Mahler o seu próprio pai, e foi justamente a diferença de idade - que tanto preocupava Mahler - que a atraiu, como ela própria viria a reconhecer: “Freud tinha razão. Quando Mahler me conheceu, desejava que eu fosse ‘marcada pelo sofrimento’, foram essas as suas exactas palavras (...). Eu, também, procurei realmente um homem baixo, atarracado, mas dotado de sabedoria e de um espírito superior, como conhecera e amara meu pai...” 

Mahler foi muito marcado pela infância: “Os meus pais davam-se como o fogo e a água. Ele era um teimoso, ela a própria candura. Sem essa aliança, nem eu, nem a minha 3ª. Sinfonia existiríamos.” Sendo o segundo mais velho de catorze irmãos, teve de disputar a preferência maternal e de suportar a morte de dez deles. 

No divã de Freud, Mahler imputará a uma ocorrência da infância o facto de as suas composições mais geniais serem entremeadas por música mais popular e vulgar, ao lembrar-se de uma grande zanga entre o pai e a mãe,  que o levara a fugir de casa a correr e a ouvir fortuitamente na rua, uma melodia popular tocada por um realejo. “Desde esse momento, a nobre tragédia e a fácil diversão estariam inexoravelmente unidas na minha mente e qualquer um desses sentimentos atraía o outro”.  

Parafraseando Pessoa, Mahler era um doente cardíaco das estrelas, uma vez que lhe fora diagnosticada, quatro anos antes de morrer, uma infecção do coração, o que ajuda a explicar o retrato que a mulher, Alma Mahler, fez dele após a sua morte: 

Não tinha sossego nunca, em lugar algum. Por toda a parte, atormentava-o o medo de desperdiçar tempo de trabalho. Perseguido, acossado por um caçador invisível - a morte -, foi assim que o conheci durante os dez anos em que pude conviver com ele. Desde muito cedo, Mahler vivia como se sentisse que estava predestinado a morrer jovem e, por isso, não se dava ao luxo de viajar, de tirar férias; pelo contrário, trabalhou muito até à sua morte.

O meu tempo há-de chegar” confiava Mahler, ao ver reconhecidas apenas as suas qualidades excepcionais de maestro, e não o que mais gostava de fazer, as suas composições musicais.

E de facto a posteridade não o atraiçoou. Obras-primas como as 1ª., 2ª., 3ª. e 5ª. sinfonias, entre outras, são hoje admiradas e tocadas pelas orquestras de todo o mundo.

 

Fontes:

- http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-14982017000300714

- Wikipédia

 


ORQUESTRAÇÕES

 Manuel Joaquim

Cuidado com publicidade enganosa! | Eighty


I

Há largas semanas que temos deparado com uma grande campanha publicitária a lentes para óculos, com tratamento antivírus, com a imagem de Catarina Furtado e do virologista Pedro Simas.

Esta campanha foi agora proibida pela Autoridade de Regulação Publicitária, por ter informações “enganosas”.

Pedro Simas é “investigador científico, virologista e professor universitário” é comentador em órgãos de comunicação, designadamente em TVS, sobre a COVID 19, pelo que está quase todos os dias nas nossas casas. Pode acrescentar-se que também é vendedor de lentes. E agora também é candidato a vereador à CM de Lisboa.

O semanário Expresso de 27 de Agosto, na página 4 do Primeiro Caderno, informa que Filipe Froes, investigador e coordenador da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Pulido Valente, consultor da Direcção Geral de Saúde, coordenador do Gabinete de crise da Ordem dos Médicos e membro do Conselho Nacional de Saúde Pública, pneumologista, recebeu de farmacêuticas, designadamente de Pfizer e Astra Zeneca, 385 mil euros desde 2013.

Provavelmente haverá outros comentadores de serviço que também recebem de farmacêuticas dinheiros, directa e/ou indirectamente, para abrirem caminhos para a venda dos seus produtos.

A orquestra, com este tipo de músicos, está afinada para as pessoas aceitarem as terceiras e as quartas doses das vacinas, e para alargar o mercado de consumidores com o recrutamento de jovens e de crianças para a vacinação. São músicos (cientistas?) muito independentes dos grandes interesses comerciais.

Entretanto os trogloditas que votaram contra e sempre combateram o Serviço Nacional de Saúde, posições hoje escamoteadas, que pediram violentamente a demissão da Diretora Geral de Saúde, Graça Freitas, por ter admitido, no início da pandemia, que a infecção pudesse afectar mais de um milhão de portugueses, só falam no SNS em abstracto. Entretanto, mais de um milhão de pessoas já foram infectadas. Não falam que mais de um milhão de pessoas não têm médico de família, não falam na falta de médicos e de enfermeiros, de pessoal paramédico, de auxiliares e de equipamentos. Os hospitais privados e os centros de diagnóstico e de análises privados continuam a facturar em grande à custa dos bens públicos.

II


Lágrimas de crocodilo são vertidas diariamente na comunicação dita social sobre o Afeganistão, sobre a perda de direitos das mulheres e sobre os refugiados. Os papagaios de serviço choram desesperadamente pela derrota dos USA e da NATO, que é a mesma coisa, fazendo até analogias com a fuga de Saigão dos militares norte-americanos.

Não vejo notícias sobre a situação que existia no Afeganistão no tempo do governo que foi derrubado pelos terroristas criados e alimentados pela CIA, pela Arábia Saudita, Paquistão e Nato e com a intervenção directa dos USA a pretexto do 11 de Setembro de 2001.

Existia um governo progressista que apostou fortemente na educação, a presença maioritária de raparigas na universidade de Kabul, na laicidade, na reforma agrária e nos direitos democráticos e modernização da sociedade. A intervenção militar soviética aconteceu a pedido do governo legítimo para auxiliar na defesa e na integridade do país. Os militares soviéticos saíram em 1988 por ordens de Gorbachev, homem que veio a desmantelar a URSS. O governo legítimo do Afeganistão manteve-se em funções durante mais três anos, até 1992. O governo caiu quando a URSS cortou abastecimentos de petróleo e cereais. O exército soviético não foi derrotado como os papagaios de serviço pretendem fazer crer. Foram as questões políticas internas da URSS que levaram àquela decisão.

A situação geográfica do Afeganistão é estratégica. A proximidade com a China, Rússia, Paquistão e India, sempre aguçaram os dentes ao imperialismo com destaque para os USA e Inglaterra, antiga potência ocupante. Para o cerco à Rússia e China e para o controlo de toda a região o Afeganistão não podia escapar às suas garras. É bom ter presente que os USA têm mais de 800 bases militares à volta do mundo e os militaristas, homens que defendem a guerra para o domínio do mundo, não podiam admitir um Afeganistão democrático e socialista.   

Foram 20 anos de ocupação, de exploração desenfreada de pessoas e de riquezas. A produção de ópio, controlada pelo exército dos USA, aumentou largas dezenas de vezes. É o maior produtor mundial de ópio. As terras raras, metais altamente valiosos, existem em abundância, são obtidas a custo zero.

Os sucessivos governos formados por lacaios que viviam e trabalhavam nos USA serviam perfeitamente. A União Europeia nunca questionou nem nunca aplicou sanções por falta de democraticidade nos processos eleitorais como faz a outros países.

Mas a correlação de forças internacionais nestes últimos vinte anos tem-se alterado profundamente. E vive-se uma nova situação.

A entrega do Afeganistão aos Talibans foi decidida pelos USA há muitos meses. Foi Trump quem esteve nas negociações e isso é público. O calendário, alterado várias vezes, foi estabelecido. A formação de um exército afegão com mais de 300.000 militares, com equipamentos modernos, fez parte do processo de ocupação dos USA e do processo negocial. Tudo foi organizado para que com a saída dos USA e da NATO se caminhasse rapidamente para uma guerra civil entre o exército e os Talibans. Só que isso não aconteceu em virtude de o exército ter “desaparecido”. É bom meditar em algumas intervenções recentes de Biden. É da História que estes processos não são lineares. Os Talibans começaram a negociar com a Rússia, em Moscovo, com a China, em Pequim, com o Irão, em Teerão, com a India e com o Paquistão. Pretendem formar governo só depois das tropas estrangeiras abandonarem o país e não aceitam prolongar o prazo de 31 de Agosto, previamente acordado.

Entretanto a CIA tem transportado elementos do ISIS da Síria para o Afeganistão, fugindo à sua certa eliminação e colocá-los em novo teatro de terrorismo para provocar o caos como tem acontecido nestes últimos dias.

Muitos colaboracionistas das tropas ocupantes estão a ser retirados para outros países. Ninguém ouve falar nos mercenários contratados. Muitas pessoas, mulheres e crianças, que pretendem abandonar o país, não vão conseguir, estão a ser descartadas. Sabendo-se que existe a poligamia, o nosso ministro da defesa, não permite que venham as famílias completas, mais do que uma esposa, com todas as consequências que isso acarreta. Os papagaios da comunicação não dizem que muitos destes refugiados estão a ser levados para países fora da Europa e dos USA, para países da África e da América do Sul.

A Unicef tem alertado que 10 milhões de crianças precisam de ajuda para sobreviver. 1 milhão está em situação de fome. 20 anos de ocupação não foi suficiente para organizar o país, criar condições de subsistência para a população carenciada? Ou os 20 anos foi o tempo necessário para destruir todas as estruturas económicas e sociais que existiam? O senhor Biden disse há poucos dias que o objetivo foi acabar com o terrorismo. Verifica-se isso mesmo.

Os papagaios de serviço estão a ficar tartamudos com todos estes acontecimentos. Como vão reagir quando as tropas ocupantes do Iraque tiverem de sair até ao final deste ano? E quando forem corridos da Síria a toque de caixa? 

 

UM PERFUNCTÓRIO DISCURSO

 António Mesquita

La libertad contra los monopolios | EL MONTONERO

 


 
Há tempos, cruzei-me na rua com um antigo vogal da Assembleia do Sindicato. Tanto bastou para evocar os idos anos 70. Com humilhação. Porque enquanto eu me lançava em afirmações arrojadas sobre os números do balanço das companhias, ele torcia-se na cadeira e ameaçava levantar-se se eu não me contivesse. Ele sentia tanto mais vivamente os meus dardos desajeitados quanto trabalhava numa dessas empresas ligada a um dos maiores grupos monopolistas.
 
Nada me autorizava a fazer uma análise tão sumária diante duma centena de pessoas. Contudo, a direcção sindical de que eu fazia parte como membro substituto havia-me confiado grandes responsabilidades. Integrado numa comissão de economistas e gente dos sindicatos, tomara parte nalgumas reuniões em Lisboa sobre o estado do sector. Eram as ideias que eu trazia na pasta que atirava a uma sala que só esperava notícias da negociação do contrato. A todo o momento o presidente devia chegar do aeroporto. Tratava-se, por isso, de entreter pessoas com a cabeça noutra coisa. Alguns julgariam que  apenas debitava verdades consabidas deles próprios e das pessoas que  consideravam honestas. E havia o cortiço despolitizado da classe, sujeito a ventos e marés. Muitos viviam ainda com o pensamento de outrora que os partidos haveriam de mandar para o ferro-velho.  Acreditava-se em algumas pessoas a que se chamava então os prestigiados.
 
A dessintonia que havia na sala tornaria qualquer esforço de persuasão inglório. Todos percebiam que as convicções eram apenas um meio de me tirar de apuros e para passar o tempo. Pior serviço às ideias não podia ter sido feito e deixou-me imensamente frustrado. A crítica dos monopólios empregue como uma "bucha" e a prática  "revelada" pelo sentimento do dever  rebaixada ao nível dum expediente.
 
A censura iludia-nos ainda a todos e a ela própria com a presumida força da palavra livre. Como se o sentido da oposição não estivesse dependente dessa anacrónica proibição de existir que o fascismo lhe continuava a impor. Foi a democracia que esvaziou as oposições e as levou a esse confronto implacável com a realidade duma política regida por outras leis.  Como os maus psicanalistas, julgávamos que o diagnóstico bastava para converter as multidões. Era não contar com a história vivida de cada “nevrótico” político.  O que se convencionou chamar de fascismo não estava na relação da doença para com o doente. O regime  foi incorporado nos hábitos da nação como um processo total. Não foram só as ideias – e as ilusões – que ficaram impregnadas. Mas toda a linguagem, desde os sentimentos, às acções e aos gestos simbólicos.

Com a liberdade,  e passada a euforia ingénua, a verdade deixou de poder ser dita por toda a gente, ou melhor,  deixou de ser universal. A vontade de esclarecer tornou-se partido, e, para a maioria, fonte de extrema complicação. O efeito paradoxal desta situação foi o de absolver o reino da mentira e erigi-lo, pouco a pouco, em terra firme para os náufragos duma revolução que se tornou palavrosa.
 
A má experiência não me impede de julgar, hoje, a qualidade da "bucha". Era evidentemente dogmática a doutrina duma correspondência unívoca entre o estado-maior dos monopólios e o do regime (como se aqueles não pudessem vingar noutro sistema político). Da nomeação monopolista, a que chegava pelo exame da carteira de títulos, parecia resultar  a necessidade de libertar a riqueza concentrada no sector e pô-la ao serviço do que pensava ser o bem público. Mas não só as pessoas estavam focadas noutra coisa, como eu, sem dotes oratórios, me via induzido a fazer improvisações temerárias, apesar de toda "a superioridade moral" que outros no meu lugar se arrogassem. Automaticamente, adoptei uma voz monótona, como se estivesse a falar de coisas incontestáveis e indiferentes. Aventurava-me num terreno de especialistas, vencia uma timidez atávica, só porque não tinha outra saída.

Num texto de homenagem ao Fernando Barbosa de Olveira, anos depois da sua morte, escrevi algo um pouco diferente. 

"A entrada do Fernando de Oliveira, com a sua pasta carregada de papéis, operou no meu perfunctório discurso o efeito da quebra de corrente num gira-discos. Foi com um grande alívio que lhe passei o microfone, e a  sessão pôde, a seguir, atingir naturalmente o seu clímax."

Essa assembleia espelha um clima de unidade "inorgânica", antes da formação dos partidos e da criação das tendências, ainda sem o ódio que se havia de ver um pouco mais tarde. 

Talvez tenha contribuído de algum modo, para o "alívio" e a apoteose colectiva. Hoje   porém,  a humilhação vem de ter sido tão pouco determinado por mim mesmo e de ter forçado a natureza, sem recursos próprios. A paixão não é agradável de se ver.
 

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