Manuel Joaquim
A Invencível Armada
Diz-se que uma desgraça nunca vem só.
Um camião carregado com 12 toneladas de chocolates KIT KAT, da Nestlé, que saiu da Itália com destino à Polónia, foi roubado no centro da Europa e ainda não foi apanhado, o que vai provocar a falta de chocolates no período da Páscoa. Esta notícia está em todo o mundo e em Portugal em quase todos os jornais nacionais e regionais, naqueles que ainda existem.
Segundo agências de notícias internacionais, o secretário do interior dos EUA esteve na Venezuela e levou 100 milhões de dólares em barras de ouro para a sua terra.
Não se sabe se estas notícias são verdadeiras ou falsas. Mas que estamos numa época de rapinagem estamos, por isso, podem ser verdadeiras.
O rei da rapinagem afirma que Cuba será o seu próximo alvo, depois da guerra com o Irão, esquecendo-se que já é alvo dos seus capangas há mais de 60 anos. Mas a guerra com o Irão só vai acabar quando o Irão decidir e ainda ignoramos em que condições.
Bhadrakumar, analista político indiano, num artigo agora publicado, escreve: “As guerras são sempre imprevisíveis. O exemplo mais famoso é o de outra armada semelhante à dos EUA no Golfo Pérsico neste momento — a Armada Espanhola, uma frota naval de 130 navios enviada pela Espanha em 1588, comandada por Alonso de Guzmán, Duque de Medina Sidonia, um aristocrata nomeado por Filipe II de Espanha para invadir a Inglaterra, destronar a Rainha Isabel I e restaurar o catolicismo.
Apesar do seu poderio, a Armada Espanhola foi derrotada no Canal da Mancha por uma força inglesa mais pequena que utilizou navios incendiários e artilharia superior, sendo posteriormente em grande parte destruída por tempestades enquanto recuava ao longo da Escócia e da Irlanda.
A tão alardeada armada do presidente dos EUA, Donald Trump, tem mais ou menos a mesma missão que a Armada Espanhola — variando desde a mudança de regime até à derrubada do sistema islâmico de governação, passando pelo leitmotiv tácito de uma Cruzada. Curiosamente, também parece destinada a um final miserável semelhante, apesar da esmagadora superioridade militar dos EUA.”
Quanto a Cuba, já tentaram várias vezes, tiveram o desastre da Baía dos Porcos, a crise dos mísseis soviéticos e outros posteriores, tentativas de assassinato de dirigentes, particularmente de Fidel de Castro, e não conseguiram. Será em Cuba que o rei da rapinagem vai cair abaixo do cavalo e partir os dentes? Será desta vez que os EUA sentirão na sua própria casa o que é a guerra?
Os serviços secretos sabem muitas coisas mas ignoram muitas outras. O 25 de Abril apanhou de surpresa os serviços secretos do imperialismo. As capacidades bélicas do Irão apanhou de surpresa os mesmos serviços secretos. Que outras situações ignoram?
São situações que estão a causar desespero em muitas cabeças de fanfarrões. Há um comentador da CNN, general com muitas condecorações, que fala em lançamentos de bombas atómicas por Israel ou pelos EUA para resolverem o problema da guerra. Já não é a primeira vez que esse sujeito fala em bombas atómicas. O problema da Rússia seria resolvido também com bombas atómicas. Fala de cima da burra como se os outros estivessem a dormir. O homem de Alcácer do Sal ensandeceu e a família e apaniguados não sabem.
Mas a rapinagem já vem de longe, de muito longe. A ONU finalmente reconheceu nesta última quinta-feira que a escravatura é um crime contra a humanidade. O comércio de escravos contribuiu para o empobrecimento dos povos africanos e outros e para o enriquecimento das economias dos países colonizadores. A resolução da ONU exigiu reparações pela escravatura que teve a seguinte votação: 123 membros votaram a favor, 52 abstiveram-se e 3 votaram contra, que foram EUA, Israel e Argentina. O Reino Unido e os 27 membros da União Europeia abstiveram-se. Portugal foi um deles. Foram os países colonizadores que levaram à força 12 milhões de africanos entre os séculos XVI e XIX.
Há cerca de uma vintena de anos, as companhias de seguros e os bancos estabelecidos em Portugal, por imposição de autoridades europeias, tiveram que declarar que não tinham bens, designadamente obras de arte, obtidos durante ou após a 2ª guerra mundial, rapinados às vítimas do nazismo para serem devolvidos aos seus legítimos proprietários. Alguns museus na Europa já devolveram a alguns países bens que lhes foram rapinados durante o colonialismo. Se vier a acontecer ….
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