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01/06/16

O MUNDO DOS RELÓGIOS

antónio mesquita

The Clockwork Universe: Isaac Newton, the Royal Society (...)




"Todos ou quase todos aceitámos a ideia da máquina universal newtoniana como expressão da verdadeira imagem do Universo e a encarnação da verdade científica, pois, durante mais de duzentos anos, foi esse o credo comum, a 'communis opinio' da ciência moderna e da humanidade esclarecida."
(Alexandre Koyré)

A ideia de uma 'máquina universal' ofende os ouvidos modernos, quanto mais não seja, porque não co-existe, desde há muito, com a crença no Grande Relojoeiro. Um 'relógio' desses entregue a si próprio e funcionando com a corda que só Deus sabe quem lha deu é um portentoso absurdo.

No entanto, tal crença guiou um interminável cortejo de cegos, ao longo de 'duzentos anos', para o barranco em que hoje nos encontramos.

Podia ter sido de outro modo? Ou segundo uma lógica, também devedora do hegelianismo, de esquerda ou de direita, depois da tese da religião natural dever-se-ia ter seguido, como seguiu, a antítese do materialismo ingénuo (e até mecânico) aplicado ao Cosmos?

Se a ciência moderna e a 'humanidade esclarecida' têm sido, em toda a linha, fiéis à Crítica da religião natural (ou à sua antítese abstracta, como pensava já o pai da sociologia, Auguste Comte), parece estar por cumprir a famosa 'síntese' da 'Lógica'. O mesmo não se poderia dizer, com igual certeza, da etapa positivista da primeira sociologia. Porque - não é verdade? - nunca acreditámos tanto nos factos como neste nosso tempo dominado pelos meios de comunicação, apesar de, ao mesmo tempo, nos termos vindo a confrontar com a sua crescente 'fabricação' e irrealidade.

O que sobressai deste tempo de espera pela nova Síntese (dando de barato que aquela que foi imaginada por Marx para o sistema capitalista foi a primeira), e em relação à ciência depois de Einstein, é que, segundo Oliver Sacks ("Awakenings"): "(...) é neste ponto, enquanto procura aqui e ali, com tão dolorosa urgência, que pode ser levado a cometer um erro súbito e grosseiro; que pode (nas palavras de Donne) confundir 'a loja dos Boticários' com a 'Divindade Metafórica': um erro que o boticário ou o físico são tentados a encorajar." 


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