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01/10/26

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NO CORRER DOS DIAS

Marques da Silva



Silves. Deixo esta aldeia de Vila do Bispo numa manhã em que a mistura de aragem e de luz criam um dia povoado de alegria. Neste caminho para Sul, neste promontório que penetra mar adentro reclamando espaço, traz-me à memória aquela ponta de terra no extremo mediterrânico de Itália. Mas ali na ponta calabresa há horizonte e como dois navios que se aproximam, a costa siciliana encosta-se à continental e assim ficam em paralelo contemplando-se, vigiadas à distância pelo Etna. Do outro lado, Messina aguarda a travessia. Aqui nada parece aproximar-se e esta pata de animal de montanha com dois dedos, termina abruptamente numa parede de massa vulcânica. A luz sendo intensa, não possui a luminosidade do Mediterrâneo. Sabe bem viajar neste território planáltico, olhar o oceano de cima, como se fôssemos invencíveis perante a grandeza das suas águas, ora cinzentas, ora azuladas. O Cabo da Roca, onde nos vimos quase sem nos encontrarmos, é a ponta mais avançada da Europa para Oeste, mas aqui, o Cabo S. Vicente aponta para Sul, como se a sua missão fosse indicar caminhos e com Sagres, do outro lado, parece fazer um conjunto assinalando um roteiro para além do visível. A pequena aldeia, pese embora os seus cinco séculos de existência, deixa essa ideia de não ter passado, tudo aparece como novo, recente, no seu casario e nas suas ruas, com as cores desbotadas de tão castigadas pelo sol. É um local de paragem e há espaços que nos permitem repousar o corpo e as ideias. As junções da terra e do mar criam um ambiente onde é fácil acreditarmos em lendas míticas e desenrolarmos papiros preenchidos com os nossos momentos de vivência. Todos os países cimentam o seu momento fundacional e algumas das glórias alcançadas, com actos míticos divinos. Não se estranhe, pois, que acreditemos ter existido neste planalto rochoso uma famosa Escola Náutica de Sagres, fundada pelo Infante D. Henrique. Naturalmente que há um vazio documental sobre o tema, e a ideia é muito posterior à partida das naus e caravelas Atlântico abaixo. Que e quem poderia ensinar, no século XV, numa escola náutica nessa época! Será certamente um mito gerado em torno da figura do Infante, tal como o da batalha de Ourique, a qual, nem se sabe se existiu e se algo parecido aconteceu, nunca o foi em Ourique. Isto não impede que no presente e nas celebrações que se organizam para comemoração dos 900 anos da Batalha de S. Mamede, se pretenda também celebrar Ourique. Há elites que acreditam que se viajarem na companhia de heróis, mesmo que míticos, também aparecem envolvidos pelo mesmo heroísmo. A rapaziada que detém o leme de uma nau que é o país, dispensando dois ilustres historiadores da FLUP, colocaram à frente da comissão organizadora aquele senhor a que Júlio Machado Vaz designou um dia como educadíssimo, mas desde que houve um generalíssimo fiquei com arrepios com os íssimos. Depois dos submarinos e das fotocópias, a criatura das demissões irrevogáveis, volta à tona após um período de imersão. Contudo, não são os mitos pátrios que me prendem a este lugar, mas antes o âmbito das mentalidades. Em que acreditavam os seres humanos quando em frágeis embarcações partiam por este mar adentro sem conhecer o destino e menos ainda a rota para lá chegar e não podendo seguir os conselhos do “Caminho para Ítaca”, sobretudo porque a rudeza da vida de marinheiro ensombrava a “bela viagem que o destino lhe podia dar”, partiam ao sabor da vela e do vento! O grande feito naval não foi a descoberta de terras distantes, há muito tinham sido encontradas, mas a arte de procurar alcançar por mar o que outros já conheciam. Naturalmente que quem os comandava e quem lhes armava as naus, tinha outras ambições para estas navegações e o interesse de um grande senhor feudal que foi o Infante. O risco compensou e o negócio foi mudando com os séculos; esgotadas as especiarias, ficou o tráfico negreiro. O país não sentiu a diferença, mas o saque foi esbanjado. Contudo, não pensemos que a pirataria colonial findou. Há dias, em discurso na ONU, o homem laranja disse, a propósito do roubo do petróleo da Venezuela que o vencedor fica com o saque.   A criatura não consegue sair da 4ª classe. Não são apenas distúrbios mentais a proferir estas sentenças, é uma loucura descontrolada que aparece discursando sem pudor pretendendo legitimar e normalizar o roubo. Em termos comparáveis as viagens marítimas de hoje são muito mais seguras do que as que se iniciaram no século XV mar adentro, mas os seres humanos estão hoje mais frágeis nos seus valores éticos, na sua vivência quotidiana, no seu futuro como cidadãos. Não são só os discursos, entre o patético, o irracional, a loucura e o desvario de quem tem poder, é sobretudo a normalidade que dão aos desmandos que um poder autocrático, denominado democracia, lhes concede. Deixo para trás este istmo de terra com nuvens sombrias cobrindo o horizonte da humanidade, contrariamente, à alegria meteorológica que encontrei à chegada e quando levanto o olhar na procura de suportes ideológicos onde possa agarrar os pensamentos ocorrem-me as palavras de Rosa Montero no seu romance, “A História do Rei Transparente”, “Mas a verdadeira nobreza, sei-o agora, é isto. É caminhar toda a nossa vida com passos certos, com passos que nos saiam do coração; é os nossos actos estarem de acordo com as nossas ideias, mesmo que o preço seja alto”. Terminei esta descida até ao limite Sul das águas atlânticas que chegam ao nosso litoral e volto-me para Leste até alcançar o limite do Guadiana. De Lagos, vou guardar apenas o reencontro com a via férrea numa estação moderna sem sinais de outra ter existido. Atravessei Portimão num comboio que se arrastava ao transpor o Arade numa ponte de 6 arcos de 50 metros e saio um pouco adiante na estação de Silves. É ligeiramente no interior desta terra Algarvia que a cidade repousa, banhada pelo Arade que atravessei há pouco. Vou então ao encontro do poeta al-Mu’tamid, “Saúda, por mim, Abu Bakr, os queridos lugares de Silves e diz-me se deles a saudade é tão grande quanto a minha”. O postal deixo-o na estação.


EVOCANDO A GUERRA CIVIL DE ESPANHA

Manuel Joaquim





Comemora-se este ano 90 anos da Guerra de Espanha, 1936-1939, onde muitos portugueses participaram, quer directa quer indirectamente mas sobre a qual os principais meios de (des) informação não dão notícias. 

Recorda-me ouvir meu Pai falar sobre a guerra de Espanha e da II Guerra Mundial referindo que saíam de Portugal comboios de mantimentos e armas para os fascistas espanhóis enviados por Salazar com letreiros nas carruagens dizendo que eram “sobras de Portugal”, quando grande parte da população portuguesa passava fome.

Aprofundei conhecimentos sobre a guerra de Espanha conversando nos finais dos anos 60 com um colega de trabalho, António Moutinho da Rocha, no caminho trabalho – casa e casa - trabalho para almoçar em casa e no fim do dia, que me emprestou o livro “A Guerra Civil de Espanha”, do historiador inglês Hugh Thomas, editado em 1961, na época a melhor publicação.

A revista de Agosto de 2026, do SINTEL,  publica um trabalho de Sónia Duarte, professora e investigadora, com o título “Nos 90 anos da guerra de Espanha – A participação portuguesa e o papel dos comunistas”. Refere a obra de Manuel Tiago,  "A Casa de Eulália”, que retrata “as vivências de um grupo de portugueses durante a guerra de Espanha (1936-1939) dando voz às perceções da comunidade portuguesa sobre a guerra…”. Refere trabalhos de César Oliveira,  Iva Delgado, Varela Gomes. Manuel Loff, José Saramago, Viale Moutinho e Domingos Abrantes.

A revista O Militante, de Setembro/outubro de 2026, publica o texto “Guerra de Espanha (1936-1939). A verdade e a mentira 90 anos depois”, de Domingos Abrantes, dirigente histórico do PCP, profundo conhecedor da política nacional e internacional, foi deputado na Assembleia da República e foi membro do Conselho de Estado.

Interpreta os acontecimentos de hoje na Europa à luz dos acontecimentos da guerra de Espanha e da Segunda Guerra Mundial, considerando “Este artigo, para assinalar os 90 anos do começo da guerra, não é mais do que um contribuo para a batalha da memória da luta antifascista e contra a falsificação da história, uma questão candente na situação política actual, centrando-se em algumas questões que consideramos essenciais”. Novos dados são revelados sobre decisões das diversas forças políticas que merecem profunda reflexão. A não perder a leitura.

No princípio deste mês de Setembro estive a falar na Festa do Avante! Com José Tavares, economista, reformado bancário, da Caixa Geral de Depósitos, natural de Portimão, sobre diversos assuntos, entre os quais a Guerra de Espanha. Falou-me da Tragédia de Cádis, que aconteceu 18 de Agosto de 1947, fez 79 anos, que eu nunca tinha ouvido falar. Deu-me a conhecer um artigo de sua autoria publicado no Jornal do Algarve em 18 de Agosto de 2022, que pode ser consultado  (https://jornaldoalgarve.pt/tragedia-de-cadis-foi-ha-75-anos/) data de aniversário de tal acontecimento. 200 toneladas de TNT em mais de 1200 minas submarinas e cargas de profundidade que estavam armazenadas num pavilhão da base naval em condições deploráveis, de fabrico alemão. Essas bombas destinavam-se a ser lançadas naquela zona sul de Espanha para a proteger de iminente desembarque das forças aliadas, o que não veio a acontecer, pois o desembarque fez-se na Sicília. Acontece que esse material explodiu em resultado das péssimas condições em que se encontrava armazenado. A explosão ouviu-se em todo o Algarve, e como a base estava inserida numa zona de bairros operários as vítimas foram muitas. Inicialmente a explosão foi atribuída a elementos antifascistas mas depois apurou-se que o algodão pólvora, componente fundamental do material explosivo (material que EUA, têm hoje escassez para a fabricação de bombas) provocou o acidente.

A Censura não permitiu qualquer notícia sobre o assunto. Aproveitou a morte de Manolete, grande toureiro, para não dar cobertura ao acidente.

São assuntos que vamos conhecendo ao longo do tempo.

A crise do sistema está em marcha. A guerra na Ucrânia, a guerra com o Irão, com todas as consequências previsíveis e imprevisíveis, estão a provocar alvoroço nas elites dirigentes por não estarem a dar os resultados inicialmente previstos.

As disponibilidades financeiras para alimentar a guerra e a economia estão a faltar. Começam a rapar o fundo ao tacho. A “União da Poupança e do Investimento SIU)” é uma iniciativa da União Europeia para mobilizar as poupanças privadas dos cidadãos europeus e direcioná-las para o mercado de capitais com o objectivo de financiar áreas da defesa e segurança. Mas as dificuldades existem. Os alertas do Banco de Portugal para o nível do crédito existente assumido pela banca, apesar de pregarem que está tudo bem, são sinais de que algo está para acontecer.

Quem está a dirigir esse processo é a nossa conhecida Maria Luís Albuquerque, comissária europeia para os serviços financeiros, que foi professora de Passos Coelho e sua ministra das finanças no seu governo, de triste memória. Pretende avançar no primeiro trimestre de 2027.

A contestação ao governo está a aumentar nos mais diversos sectores. Até os empresários começam a contestar as políticas do governo. O problema dos combustíveis vai refletir-se em toda a economia. A Rússia não permite a exportação de gasóleo. Trump está a apontar para o racionamento e a não exportação de gasóleo. A situação no médio oriente é cada vez pior.

Já vi a ministra do ambiente a voar numa vassoura como corolário de mandar poupar nos combustíveis.

Soubemos agora de forma mais clara que as nossas reservas de combustível estão depositadas em França e noutros lugares. A transferência implica milhões de euros. Como é possível? Não acontecerá a essas reservas o que está acontecer com as reservas monetárias de alguns países? Numa situação de emergência os países que guardam essas reservas não vão poder utilizá-las? Quem propôs e apoiou o desmantelamento da refinaria de Matosinhos?

Como vai ser?

A propaganda da guerra a fim de criar a sensação de guerra imediata contra a Rússia, está criando condições para a nossa vida girar toda à volta do medo. Entretanto as elites defendem os seus privilégios e os eleitores permanecem marginalizados.

Os “democratas” trabalham afincadamente para se manterem no poder. As eleições na Alemanha foi um balde água fria. Ainda tentaram proibir o partido AfD com o argumento que não cumpria a constituição, mas tiveram medo. Em 7 de Agosto de 1956 o KDP (Partido Comunista Alemão) foi proibido até hoje. O governo alemão naquela época, enxameado de nazistas com a conivência de outros, tomou essa iniciativa. Como eles não se apagaram mantêm-se vivos.

Vamos estar atentos ao que se vai passar.

POESIA

Helena Serôdio






TENSÃO

 


SAUDADE É PASSADO E FUTURO
GERA O PORVIR
NO ENLEIO DE SENTIR
O QUE FOI FIND0, PASSOU.
FACTO BIPOLAR
ENIGMA ESTELAR
DA MESMA ALMA EM DELÍRIO.
PONTOS CARDEAIS
INVERSO DE DOIS SINAIS
A VIR À TONA NO MESMO SEIO,
QUAIS SETAS DO MESMO MEIO
A VIBRAR O MESMO SOFRER.
POLOS EM TENSÄO,
FAISCAR DE EMOÇÃO
CAUSA-EFEITO, EM CASCATA.
PLANGER GÉMEO, EMBRULHADO
TORMENTO MORTO, LOGO NADO;
PENAR EM "NAVETTE", DEVIR,
ARDOR FREMENTE DE REPETIR
O QUE JÁ FOI NO QUE SE ASPIRA SEJA.
CONSUBSTANCIAÇĀO, DESATINO,
ANSEAR DO MESMO DESTINO,
SOMBRA DA SOMBRA
JÁ VIVIDA.


REGRESSO A VALE ABRAÃO

António Mesquita




Por estes dias revi o  filme de Manoel de Oliveira, premiado em Cannes, de 1993, "Vale Abraão". Parece que o tema do "bovarismo" foi sugerido pelo cineasta a Agustina e ela não se fez rogada. Escreveu um texto tão próprio e desafiante para qualquer cineasta, que as dificuldades de transposição para o cinema são mais do que evidentes.

Neste aspecto, o erro de apreciação mais natural é tomar as soluções "ad hoc" por características do estilo. Para além do que, Oliveira fez uma versão livre do texto de Agustina e que nela não deixou de lhe dar um cunho pessoal.

Passaram-se mais de vinte anos e não creio que hoje se possa ver o filme, que mereceu os maiores encómios a Bénard da Costa,  com os mesmos olhos, pasmados para a novidade do estilo descosido e dito teatral do ralizador. E o problema não é só o desafio de adaptar o texto  de Agustina Bessa-Luís que  não escreveu para o cinema nem nunca o faria sem se descaracterizar. Mas um eco da obra-prima de Flaubert não podia deixar de interessar a romancista. E a mulher frustrada no casamento, que tropeça em aventuras extraconjugais e  se envena com arsénico ou se faz esmagar por um combóio como a Karenina - a Ema de "Vale Abraão" deixa-se afogar no rio Douro -  é um filão para explorar em imagens  ou cenas estáticas que Oliveira, se esquecesse a "voz off" de Agustina, levaria a bom cabo, sem qualquer dúvida. Sabendo que a imobilidade deste cinema e a sua artificialidade procurada, teriam que influenciar o débito do filme, como em obras tais como "O passado e o presente" ou "Benilde ou a Virgem Mãe", deveríamos confundir com isso os solavancos do ritmo e a falta de graça do conjunto?

As cenas em que se estabelece um diálogo entre Ema e as outras figuras acabam muitas vezes numa narração que já nada tem a ver com a situação. As observações psicológicas ou acções de uns e outros prosseguem, enquanto a cena inicial fica parada no tempo. De resto, a inanidade do diálogo, como na cena com João Perry e aquelas em que entra Luís Lima Barreto que não vem da escritora mas dão corpo ao filme,  não são exemplos do estilo de Oliveira e são meros recursos de estofagem.

A paisagem duriense, um dos grandes trunfos do filme, é remetida para o bilhete postal, muito por colusão com os trechos de música clássica escolhidos e arqui-conhecidos. O decorativo aparece assim em cada pausa da acção. Desde Chaplin que a música original é a melhor receita. Assim, parece-nos que estamos a apreciar os gostos do homem por detrás da câmara e não a deixar-nos comover pela mensagem do filme.

A admiração de Bénard, como neste trecho que cito: "Também Ema escolheu para morrer um dia de sol (depois de três dias de chuva).  Antes de meter o pé nas pranchas podres, a câmara “sugou-a” até elas num travelling par trás, genial (um desses movimentos de câmara que assina a genialidade de um artista) em que a coroa por cima da cabeça dela são as laranjas, fruto solar e fruto outonal.  Vale Abraão ensina-nos o caminho da lua para a morte. Ou da luz para o sonho. Ou a luz como fonte e mistério do cinema. Acenderam-se as luzes (focos, projectores) e podemos aceder à câmara escura, ou iniciar a viagem aos infernos." deixa-me desconfortável  na minha apreciação. O bonitinho está lá e essa é uma das cenas mais características. 

A beleza de Ema, a "Bovarinho", que a exila do amor e a confunde numa simulação enlameada é, em Agustina e em Oliveira, de forma menos conseguida, a ideia central da obra, muito para além do tema de Flaubert.

Na elipse do final, com a prancha partida e o som do mergulho do corpo na água, enquanto se conclui a vida da protagonista  como uma pintura de El Fayoum, caídas as máscaras, narra-se a morte ocorrida pouco tempo depois de Carlos Paiva, o marido ausente/presente. Por uma vez, o estilo de Agustina prevalece, desaparecidos os actores (não insinuando qualquer falta da sua parte; Leonor Silveira, no papel de Ema, é extraordonária).

VERDELHOS SEM REDE

Mário Martins


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Verdelhos, Serra da Estrela, a cerca de 2,45 h. de carro.

É preciso querer ir a Verdelhos, porque esta aldeia de montanha, com cerca de 500 habitantes pelo censo de 2021, a 20 kms. da sede de concelho da Covilhã, não é sítio de passagem.

Na casa onde estivemos, a 4 kms. do centro da freguesia, no meio de nenhures, não havia electricidade, apenas uns pontos de luz alimentados por uma bateria. Muito menos havia rede de comunicações. Um regresso ao passado como se  este fosse uma novidade do futuro, largamente compensado pela ausência do fardo dos trágico-grotescos noticiários televisivos e da crise da verdade alicerçada em factos.

Vindo da montanha, o rio, de leito rochoso, também chamado de ribeira de Beijames, divide a povoação ao meio, e é um chamamento a quem gosta de mergulhar, apesar de a sua temperatura não ser propriamente convidativa.

Verdelhos é uma povoação muito antiga que data da época dos romanos. Há vestígios arqueológicos de um castro luso-romano. A paleta de tons verdes que a cerca, terá dado origem ao nome da terra. A par da cultura do milho, da batata e do feijão, e da criação de espécies bovinas e caprinas, as principais actividades desenvolvidas são a construção civil e a silvicultura.

Um rebanho de cabras desce a encosta contra o pano de fundo da serra.

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