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01/11/24

NO CORRER DOS DIAS

Marques da Silva


Agia Sophia



Roma. Outono. Não estranhes se encontrares melancolia neste postal. Se tal acontecer é uma mistura de cansaço e tristeza pelos dias se extinguirem a meio da tarde, mesmo aqui tão próximo do Mediterrâneo. Percebi este sentimento contraditório ao atravessar a Piazza Navona e ao escutar as águas tombarem saltando pelo branco marmóreo da Fontana dei Quattro Fiumi. Trouxeram-me à memória o som constante que ouvimos nas Terras Altas da Escócia quando no fim da Primavera o aquecimento rebenta com o gelo que cobre as águas contidas e estas correm apressadas para o seu destino. Lembrei as palavras de Sophia a um dos seus filhos quando nesta praça deixava o tempo deslizar e aquele se impacientava, «tem calma, antes de vermos temos de observar». Fiz os possíveis por não me apressar. Queria que o olhar vadiasse sem tempo pelas ruas da antiga capital do império. Assim segui até à ponte de Vittorio Emanuele II, junto ao castelo de Sant’Angelo. Já antes ao atravessar a Piazza Venezia e admirar o Altar da Pátria me encontrara com este rei e a sua lembrança leva-me até Verdi. A rebeldia dos combatentes da liberdade por uma Itália unificada assumiu a grandeza da criatividade. Enquanto revivia os sons de Nabuco, dizia para mim mesma, quem diria, o grito da Itália no nome de Verdi (Vittorio Emanuele Rei D’Itália). Como corriam os austríacos imperiais apagando o nome de Verdi das paredes das ruas do Norte de Itália. Mal sabiam que se pode prender as pessoas, mas nunca o pensamento. A Via della Conziliazione conduz-nos em linha recta à Piazza de San Pietro. Entramos na Cidade do Vaticano onde não alcança o poder do Estado italiano. É um cerco sem fronteiras. Rodeamos a praça e entramos de olhar aberto na Basílica. Os olhos detêm-se por momentos na Pietà mas são impelidos, atraídos para cima. É nas paredes e nos tectos que se encontra a grandeza dos terrenos como oferenda aos céus, a Deus. Tudo é volume, exagero, as artes excedem-se na representação, mas quando alcançamos o cruzeiro e o olhar se prende nos transeptos e no interior da cúpula aparece um sentimento de fragilidade perante o poderio que nos esmaga. Alguém murmura ao meu lado, «aqui se compreende o poder da Igreja». De certa forma, a arquitectura parece austera e ao mesmo tempo, poderosa, esmagadora. A cúpula de Santa Maria del Fiore em Florença aparece-nos com magnitude semelhante, sem austeridade, mas mais simples, mais bela. Como a descreveu no domínio da intenção, o notário Ser Mino de Cantoribus, que "a indústria e o poder do homem não pudessem inventar ou mesmo tentar nada maior ou mais belo". Realçava, portanto, a arte, a beleza. Agia Sophia, nascera mil anos antes desta Basílica de São Pedro e também ela queria demonstrar a ostentação de poder, riqueza, domínio, mas demonstraram tudo isto pela beleza e a arte. Quando o Império do Oriente sobrevivia ao declínio do Ocidente, Agia Sophia erguia-se para provar que haveriam ainda mais de mil anos imperiais. Não sei se foi com essa intenção, mas em Agia Sophia, tudo é luz, tudo é arte, tudo é beleza. As cores são claras, vibrantes, apelativas e atraem a luz que penetra por todas as aberturas. Pode-se sentir essa máxima cristã de que Deus está em todo o lado. Cinco séculos depois as catedrais góticas vão tentar captar esta luz que jorra do céu, mas sem o mesmo esplendor. Agia Sophia é única e inimitável. Mas em S. Pedro, em pleno século XVI, o que se pretende é não deixar dúvidas sobre o poder, de Deus naturalmente segundo o poder cristão, mas na verdade, servindo o poder da terra. Pensar que mil anos antes, o Cristianismo caminhava nos tuneis do desaparecimento com a repressão imperial a decapitar a sua intelectualidade. E é Constantino após a vitória sobre Magêncio que tem uma decisão que altera e vai definir decisivamente o rumo da Cristandade. Com o Édito de 313 os cristãos passam a ser livres de professar a sua fé. No momento em que o império declina, o Cristianismo vai expandir-se. Constantino unifica o império pela última vez e nos arredores de Constantinopla, reúne o Concílio de Niceia, no qual estará presente e onde, perante a auréola que vê tentarem colocar-lhe, diz que não é Deus. No entanto, Eusébio de Cesareia, o primeiro historiador a escrever uma história global do ponto de vista cristão, dir-lhe-á, não és Deus, mas és imperador pela vontade de Deus. Não é porque que quer, mas porque Deus o exige. Será este Eusébio que estabelecerá uma relação entre o aparecimento de Deus a Constantino na véspera da batalha contra Magêncio que ditou a vitória e o entronizou como imperador, daí a mudança do seu comportamento em relação aos cristãos. Oitocentos anos mais tarde, os crúzios de Santa Cruz de Coimbra, vão construir uma história semelhante na invenção da batalha de Ourique em que Deus apareceu a D. Afonso Henriques para lhe dizer, vencerás e serás rei por minha vontade. O Império Romano tombaria definitivamente no século XV, mas a Igreja continuaria, pese embora, as crises que sempre atravessa. Deus é uma ideia interior enquanto os impérios não passam de um poder terreno de ganância, luxúria, desigualdade, infâmia, em suma, arrastam consigo uma cartilha de maldades. Desço pela Via del Penitenzieri e di Porta de Santo Spirito até ao Tibre. Sigo pela margem e sento-me nos jardins de Sant’Angelo ou como lhe chamam, Parco della Mole Adriana. É um lugar calmo, rareiam as gentes e deixo-me ficar a pensar no tempo que vivemos. Se aqui estivesses talvez te dissesse que por vezes a vida é um absurdo, pois sendo tão curta, não deixa de ser como os impérios e destes apenas fica na História o relato das maldades dos que mandaram e pareceram um dia deuses na terra, mas na verdade nunca passaram de um grão de areia nesse mundo de milhões e milhões que viveram antes deles e de outros milhões e milhões que viverão depois deles. Neste tempo que vivemos, outro império se desmorona com ruído e como todos os que o antecederam, vai deixando um rasto de destruição e sangue. Haverá sempre quem não desista de os combater como os heroicos árabes que na Palestina e no Líbano me fazem lembrar os imortais de Dario. Declina a tarde com melancolia, mas ao contrário dos impérios, quando morrem, na vida, novo dia há-de renascer. O postal segue no próximo correio.
     

JOGO ORÇAMENTAL

Manuel Joaquim



Durante semanas fomos bombardeados com notícias sobre o orçamento para 2025. Linhas vermelhas, percentagens, aumentos salariais e das reformas, bonificações, isenções e benefícios fiscais, foi o que ouvimos e lemos durante largos dias. Sobre o conteúdo do próprio documento ninguém falava, ou por ainda não ter sido publicado ou por reserva política ou mental sobre o mesmo. Uma força política declarou logo de início que ia votar contra o orçamento. Outra força política declarou que não entraria em negociações, que era contra e que a sua posição era irrevogável. Mais tarde declarou que fez cinco reuniões com o primeiro-ministro, (este confirmou duas), e que este tinha-lhe até prometido lugares num futuro governo. Outras entraram em negociações. Uma delas protagonizou todo o espaço de negociação com o governo, um verdadeiro folhetim de declarações dizendo que era contra o orçamento por ser muito mau por aquilo que tinha por aquilo que não tinha. 

Todos os comentadeiros de serviço e o MAIOR, cumprindo instruções dos seus alimentadores, defendiam a passagem do orçamento sob pena de ser o caos para o país pois tinham ouvido todos os portugueses e que estes não queriam eleições, pretendendo condicionar a decisão do negócio.

Antes da data marcada para anunciar a decisão, o maior desta força política, veio anunciar que, não obstante o orçamento ser muito mau para o país e para os portugueses, propunha a abstenção. Provavelmente uma abstenção violenta tal como aconteceu com a mesma força política em 2011. Segue a mesma linha de há muitos anos.

Um amigo meu escreveu que “o grandalhão é grande mas não é grande coisa”


POESIA

Helena Serôdio





CONSUBSTANCIAÇÃO



Criei-te belo,
Viril,
Perfeito.
E voaste do meu pensamento
Com possantes asas de condor,
Garras de águia com dedos de flores,
Olhos de abismo,
Corpo e alma livres como o vento!

Não sei se tu existes
Ou se vives só dentro de mim.
Mas o meu olhar é espelho da tua imagem,
Na minha boca fala o teu silêncio,
Nas minhas mãos vibram os teus gestos!

Em ti começa e acaba o que não tem fim... 

Tu só és real quando te corporizas em música 
E dela se evola a tua presença.
Quando
Os teus braços se estendem para a minha fragilidade
E a firmeza dos teus pulsos me sustém.
Quando
O teu sorriso se enflora como um jardim
E num cântico de ave
A tua voz incendeia os meus ouvidos.
Quando
O sonho é uma fuga para o espaço
Que nos leva a um paraíso interdito
E tu trazes o perfume da noite
Em que hei-de morrer contigo.
Quando
Há uma pausa esquecida no tempo
E num breve interlúdio de amor
A tua sombra se une à minha.
Quando,
Súbitamente,
O teu beijo perpetua esse instante
E o instante eterniza a minha vida!...

O TESTAMENTO DE COPPOLA

António Mesquita




Na fábula que Francis Ford Coppola  construiu sobre a América dos dias de hoje, assistimos a uma reinterpretação da história da Antiga Roma. Porém, não devemos esperar que Cícero ou Tito Lívio nos ensinem alguma coisa sobre o filme. 

O homem que aparece aqui com uma visão de futuro, do lado certo, portanto, Lúcio Sérgio Catalina de seu nome, é um conspirador perigoso para Marco Túlio Cícero. "Até quando, ó Catilina, abusarás tu da nossa paciência?" é mesmo uma das mais famosas citações da oratória romana. Mas, a favor de Coppola, está o facto dos historiadores só terem a  versão ciceroniana. Catilina poderia, talvez, ter evitado Augusto e o  fim da república.

O domínio mundial  da nação fundada por Eneias foi um dos mais longevos da história e o império  que se seguiu ao assassinato de César e à derrocada das instituições republicanas foi o princípio do fim. O  "império" americano está longe de poder sustentar essa comparação.

Digamos que para a figura da fábula isso é irrelevante. Dos sinais que parecem destinar a nação americana e o seu "império" a um rápido declínio, nenhum é tão importante como o fenómeno Trump. Aliás, o assalto ao Capitólio de 6 de Janeiro de 2021 tem uma alusão clara no filme. E a identificação do homem do MAGA com a ideologia fascista é feita, dum modo rebarbativo com imagens de Hitler e de Mussolini. A expressão "que se mete pelos olhos dentro" podia aplicar-se, também, às liberdades formais do realizador, como o écrã tripartido,  ou às incoerências  da narrativa. Como um vinho velho, o filme de Coppola e a sua direcção podem apresentar sedimentos. Nada disso diminui o interesse de "Megalópolis". A sua dramaturgia revisita a cultura latina com um 'flair' que nos habituamos a esperar do autor de "Apocalypse Now".

A tecnologia, longe de ser diabolizada, aparece aqui associada às chances dum futuro possível, quase radioso, a julgar pelo final feliz da fábula. Catilina, no filme, é um arquitecto ambicioso e pretende fundar a nova cidade de Nova Iorque com um material revolucionário chamado Megalon, que lhe permite controlar o espaço e o tempo. Como estamos longe disso! E, no entanto, o que promete a Inteligência Articial não é menos revolucionário.

É  curioso que uma das causas identificada, por exemplo, por Montesquieu, como na origem da decadência do império romano, a  adulteração do moral do exército e da sociedade pela inclusão de outros povos (os bárbaros) na cidadania romana, esteja hoje no  centro do turbilhão político americano e europeu, através do populismo e da extrema direita.

Em entrevista, Coppola disse: “Agora, a América é Roma e estamos prestes a passar pela mesma experiência, pelas mesmas razões que Roma perdeu a sua república e acabou com um imperador”.

Mas Roma deu lugar ao feudalismo e à Idade Média (das trevas, para alguns). FFC parece acreditar que a tecnologia nos pode livrar disso, associada ao poder nas mãos dum Catilina. Não é por acaso que esta encarnação moderna de Lúcio Sérgio é arquitecto. A sua visão para a Nova Roma  era já a do romance de Any Rand, "Fountainhead", que também inspirou um filme, com Gary Cooper, em 1949, a King Vidor. A democracia, neste aglomerado de tecnologia e arquitectura utópica não estaria longe, talvez, de uma nova Idade Média, com os seus feudos e a sua descentralização. Não é Varoufakis que fala num novo feudalismo que já definiria o nosso mundo, em termos económicos?

Podia dizer-se que um filme tão desigual e que tanto divide a crítica é um parco resultado para os 120 milhões que dizem que Coppola investiu nele. Mas é um testamento  que exprime a confusão dos tempos e não desonra o autor do "Apocalypse Now".

01/10/24

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NO CORRER DOS DIAS

Marques da Silva




Florença, Junho. Envio-te novo postal. Desci pela costa, vagarosa e de olhar perdido. Não queria ficar e não tinha pressa de chegar. Deixei-me ir pelos dias de sol que me foram recebendo. Havia em mim uma mistura de ansiedade, de surpresa, de receio, como naqueles momentos em que nos preparamos para conhecer alguém e tememos que a realidade não corresponda à imagem que construímos antecipadamente, em alguns casos, como agora, há muito tempo enriquecida pela imaginação. Em Ravena dirigi-me para o interior, embrenhando-me na Emília-Romagna e na Toscânia. Entrei lentamente, como se levasse os olhos fechados e tivesse medo de não encontrar o que procurava. Abri-os quando me sentei num dos recantos do Giardino Bardini. Alheei-me do que me rodeava e, por fim, deixei que o olhar se abrisse para o horizonte que se estendia como uma planície. Estava tudo na minha frente e era real, até a tonalidade que cobria as pedras, os telhados, as paredes, as folhas, as árvores, apareciam como nas pinturas que tanto contemplara em madrugadas de sonho. O Arno, a Ponte Vecchio, a Campanile di Giotto e a extraordinária cúpula de Brunelleschi em Santa Maria del Fiore, a Torre de la Signoria, a Basílica de Santa Croce. A imaginação arrasta-me em viagem, desfolha-me os pensamentos, navega pela História, pelo tempo pretérito, pela soma dos dias que permitiram que os meus olhos pudessem agora apreciar a beleza construída em cima de séculos que, parecendo idílicos, guardaram poderes malignos, avarezas insuportáveis e misérias humanas sem limite. Mas ao mesmo tempo que o presente nos traz o belo secular, permite que nos rebente sobre o pensamento a violência modernizada, arrasadora nas suas explosões, ainda mais intolerável nos seus crimes. É o declinar de um mundo colonial que espoliou os povos ao longo de cinco séculos. A humanidade que constrói lugares e espaços que nos permitem o êxtase perante a magnitude do seu esforço, não impede que nos seus actos mais pérfidos seja capaz de reduzir a escombros, sejam monumentais obras de arte ou simples habitações de viver e, ontem como hoje, servindo-se de um Deus como protecção justificativa de tamanhas maldades e alguns desses criminosos são recebidos como pequenos deuses em areópagos mundiais debaixo de salvas de palmas daqueles que lhes encheram as mãos de pedras para as soltarem em gritos de selvajaria e de infâmia. Regresso a este jardim de encantado verde vigiando Florença e início a descida para me aproximar dos espaços que os olhos há tanto tempo imaginaram e construíram em sonhos, mas agora sem o temor de poder não encontrar o que tanto desejei. Caminho com essas demoras de quem não tem destino nem horário. Na Piazza di Santa Maria Soprano aproximo-me do Arno e deixo-me enlevar pelas águas que se movem ainda mais lentas do que o ritmo dos meus passos. Paro na entrada da Ponte Vecchio e não consigo esconder o sorriso que me enche a alma, pelo fascínio deste lugar tão ansiado e tão intensamente concebido. É como desembrulhar um presente que nos trazem, não sabemos o que é, mas apressamo-nos em descobrir desejando que seja algo que muito gostamos, mas sem sequer sabermos o que verdadeiramente queremos que seja. Percorro a Piazzale degli Uffizi com a solenidade de quem presta uma homenagem ao passado e à humanidade. Lembro-me do poema a Galileu e como o recitávamos juntos naquela parte em que o Mestre dizia a tudo que sim, que sim senhor, que era como suas eminências diziam, “Estava agora a lembrar-me, Galileo, daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo e tinhas à tua frente um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo a olharem-te severamente. (…) que o sol era quadrado e a Lua pentagonal e que os astros bailavam e entoavam à meia-noite louvores à harmonia universal.” E no final ríamo-nos, não do pensamento humano da época, mas das resistências que a ciência tem sempre de ultrapassar e vencer. Entro na Piazza della Signoria e sento-me nas breves escadas frente ao Palácio Vecchio. Espanto-me no volume da sua grandeza, da sua imponência. A sua torre soberba em pedra trabalhada com a sua varanda extravasando os limites das paredes, erguia-se já acima da Campanile di Giotto e igualava a cúpula de Brunelleschi. Era o desafio do poder profano sobre o religioso. Ainda não o ultrapassava, mas a posição que assumia já não permitia dúvidas. O poder económico das famílias burguesas e mercantis de Firenze reclamavam o que consideravam seu como de direito. Sabes como gosto de viajar sozinha, mas nestes lugares, nestes momentos, nestes espaços de reflexão como este onde me encontro na Piazza della Signoria, procuro-te como conforto, como amparo desta fragilidade que sinto na imensidão deste poderio que os olhos vêem e a alma sente. Caminho já no dealbar da tarde até à Piazza de San Giovanni. Santa Maria del Fiore está encerrada, o Battistério de San Giovanni também. Detenho o olhar na Porta del Paradiso e permito que as ideias fluam como uma barca num rio de águas calmas. Uma música lenta e um canto triste chegam no rumor de um crepúsculo que se aproxima. Sinto-me como se ainda fosse possível ver os Médicis entrar em Santa Maria para se despedirem de um dos seus cuja vida terminou num assassínio mortífero. Ontem como hoje eram as lutas perversas por um poder onde sobrava a ganância e a inveja e tanto carecia de justiça e de igualdade. As luzes acendem-se e fazem brilhar o lajedo das ruas de Florença. O dia partiu e a noite chegou. O postal segue em breve.
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