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01/07/25

NÃO PODEMOS IGNORAR

Manuel Joaquim




Frei Bento Domingues, no jornal Público deste Domingo, no artigo “Festa do Corpo de Deus, festa de toda a humanidade”, escreve:

““Uma das mais belas e realistas apresentações da Teologia do Corpo devemo-la ao Papa Francisco. ”Participamos, com muita fé, dedicação e respeito, das celebrações do Corpo de Cristo, mas pode ser que, às vezes façamos uma profunda cisão ou ruptura entre o que celebramos e a realidade que nos cerca, ou seja, o encontro com os corpos desfigurados, explorados, manipulados, usados, escravizados, destruídos … Pode ser que tenhamos um profundo amor e respeito pelo Corpo de Cristo vivo e presente na Eucaristia, e não O vejamos nos corpos que estão aqui, ali, lá, por todos os lados. Não nos devemos envergonhar, não devemos ter medo, não devemos sentir repugnância de tocar essa imensa carne de Cristo, essa carne da humanidade ferida.””

Todos os dias nos chegam notícias sobre essa imensa carne da humanidade ferida. Palestinianos, ucranianos, russos, sudaneses, imigrantes, pessoas de todas as idades que querem ter paz, trabalho, habitação, saúde, educação, que, segundo Francisco, são a imensa carne de Cristo.

Dinheiro para a guerra não falta para encher os bolsos de alguns, Para melhorar as condições de vida está sempre em falta. Francisco falou há bastante tempo que estávamos a caminho de 3ª guerra mundial. E há quem fale que estamos já na 3ª guerra mundial fragmentada.

É importante ter presente que muitos dos dirigentes da Europa são antigos dirigentes de organizações nazis ou descendentes de dirigentes nazis. Alguns são escolhidos a dedo para serem eleitos ou nomeados para altos cargos. O avô da líder dos Serviços Secretos do Reino Unido, que acabou de ser nomeada, era espião dos serviços secretos da Alemanha nazi. Estão a arrastar a Europa para a guerra procurando o revanchismo por terem sido derrotados na 2ª guerra mundial. Por isso, as pessoas devem estar em guarda.

Não querendo falar sobre os tempos tumultuosos que estamos a viver vou transcrever um poema de Domingos David’ Pereira, que vem a propósito, publicado no Esteiro, no boletim semestral de Setembro de 2024, com o seguinte título:

Gaza: Calar é Trair

 

GAZA: CALAR É TRAIR!

 

A todos os marinheiros,
a todos nautas do mar,
a todos os petroleiros:
- Se passarem em Gaza
façam os vossos relatos,
das bombas, das crianças e chorar:
não ignorem como Pilatos,
Urge denunciar e a matança parar!
Aos navegantes do mar,
Azul, bravo e profundo,
ALERTEM: em Gaza andam a matar!
Não calem, alertem o mundo:
- Por telégrafo, lancem para o ar,
que a barbárie, do mais imundo,
anda ali à solta, a massacrar,
a destruir o futuro, a destruir fundo.
E se à noite, a navegar, no céu
Virem lágrimas nas estrelas a brilhar,
De anjos mortos, frios, sem véu,
com fome, são mães a chorar,
sem leite para os filhos alimentar:
- Não calem, não sejam como Pilatos,
façam soar o alarme no breu,
denunciem nos vossos relatos.
Ó golfinho a saltar do mar,
ó fragata a vogar a solidão,
há crianças com medo a chorar:
- Em Gaza, não avisar é traição!
Não podemos ignorar os ais
das crianças mortas com canhão
pelos velhacos soldados chacais:
- Em Gaza: calar também é matar!
No céu de Gaza voam bombas,
voam corvos, gritos e abutres.
Matam mães, crianças e pombas,
temos de gritar o amor que nutres
na solidariedade do coração!
Porque  calar, é matar, é deixar ir:
- Porque calar é matar na traição!
- É apoiar o genocídio, é trair!
Em terra toquem sinos a rebate,
soem nos montes cordas e metais,
é preciso não deixar impune quem mate,
desmascarar os crimes animais.
Apoiem!, em Gaza há quem lute!
GRITEM: os crimes não se calam!
Os velhacos soldados chacais:
- Violam, roubam, destroem, matam!
Fez ontem cerca de dois mil anos,
Foi Jesus, pregado na cruz,
Para gáudio da usura dos fariseus.
Hoje matam crianças em Gaza,
Vítimas ontem, hoje chacais judeus.
Crianças mortas com tiros de canhão,
por gente canalha em nome dum Deus:
- Calar o genocídio é matar, é traição!
Assassinadas crianças a tiro de canhão.
Mortas sem pejo como o filho de Deus.
Ontem crucificado pelos Romanos e fariseus,
hoje pelos soldados chacais à traição.
Os palestinianos assassinados em genocídio,
cometido por actuais soldados judeus,
vítimas deste hediondo martírio,
não terão a prometida ressureição!
Então, no futuro, um dia haverá,
aquele Povo Mártir, quase exangue,
de entre a cinza e dos escombros se erguerá
da terra negra ensopada em sangue:

- Finalmente, a PALESTINA VENCERÁ!

01/06/25

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NO CORRER DOS DIAS

Marques da Silva



Kondopoga, Lago Onega. Carélia. Conheces a minha procura dos grandes lagos, recônditos entre o dorso de montanhas verdes, mas este é longo e largo, mas as margens são planícies de verdura, esta cor que cobre todo o horizonte que nos acolhe. Cativa-me a placidez do que nos rodeia, o olhar perde-se numa mistura de sonho e fantasia, enquanto as águas parecem imobilizadas como retidas num cerco que não termina. As árvores, os arbustos e as altas ervas floridas aparecem-nos como uma floresta impenetrável, mas que nos protege. Ao final da tarde procuro o sossego que rodeia a Igreja da Dormição. Deito-me no abrigo das ervas marginais e descanso a alma enquanto dialogo com o horizonte. É a Carélia, a terra da língua veps ou vepsiana, uma língua fínica que aqui convive com o russo. As águas entram pela terra dentro como se fossem fiordes, mas sem montanhas. Esta pequena cidade com cerca de trinta mil habitantes é atravessada por um canal de ligação entre dois lagos cuja existência enquanto lugar urbano ocorreu no século XVI, mas evoluiu a partir do século XVIII com a descoberta de pedreiras de mármore. Por aqui passa o comboio que de Moscovo desliza para lá do círculo polar Árctico, até à cidade de Murmansk. É o espaço dos duendes e dos mitos que vemos representados através de estátuas esculpidas na madeira. Deixo-me adormecer em pensamentos longínquos, em viagens que me levam pela história, da humanidade, dos seres humanos e tudo o que a eles é inerente, mas esse trilho que me leva para trás, aparece quase sempre ocupado pela violência, a avidez, pelo lado obscuro da mente humana. Os sobressaltos que impulsionam essa vivência aparecem sempre toldados de obscuridades sombrias de armários cheios de esqueletos, de muita infâmia e de acções vandálicas. Podemos fugir, como faço agora, mas não nos podemos esconder, menos ainda, esquecer. A mão sangrenta dos abutres alcança-nos em qualquer lugar do planeta, tão azul olhado a partir do espaço e tão negro quando o percorremos. Quantas estradas já andarilhei no silêncio de florestas silenciosas e quando parece tudo envolto em segredo, as notícias do mundo caem-nos como hienas famintas sobre o pensamento e a memória e dilaceram-nos a alma. Como é possível a vida prosseguir quando diariamente um povo aparece esmagado por um extermínio impiedoso, no fragor da fome e das toneladas de bombas. Esgotaram-se as palavras, a paciência, a infâmia perdeu sentido, tudo o que sabíamos que pudesse classificar a maldade, perdeu razão de ser. Nem a escória nazi sentiu tanta impunidade. No final tentaram esconder os crimes, chegaram a negá-los ou a atribuí-los a terceiros. Mas estes fanáticos enlouquecidos, dementes e desmiolados, afirmam-no diária e publicamente em directo. Já não é possível sequer admitir a convivência humana com esta espécie rara de idolatras. Numa paragem do caminho, nesses instantes em que isolas o pensamento, alguém fala em voz alta de direitos bíblicos. Penso na Bíblia como uma carta de valores éticos e morais a cumprir pelas sociedades humanas acabadas de se sedentarizar e erguer os primeiros núcleos urbanos e, como o ser humano tem sido tão igual nos seus comportamentos em qualquer momento do seu estado de evolução, esses valores podem facilmente ajustar-se a qualquer instante da vida humana. O que já não é possível de aceitar é quando alguém acredita acordar há três mil anos atrás e arrasar tudo à sua volta para dar enfâse a um estado milenar de loucura no presente. A História diz-nos com elevados graus de certeza que tudo isto não vai terminar bem e Deus por vezes também tem de ser impiedoso contra aqueles que o pretendem substituir. Ao deixar Vladimir, durante longo tempo detive o olhar sobre a Porta de Ouro, a sua grandeza, o baluarte das suas pedras, o volume da sua monumentalidade, a resistência à passagem do tempo, o atravessar dos séculos, assediada, quase vencida, mas sem nunca desistir de existir, de resistir ao tempo e às intempéries da brutalidade humana. O mesmo viria a acontecer quando atravessei Suzdal e extasiei os olhos na Catedral da Natividade, nas suas formas e nas cúpulas cheias de azul celestial. De certa forma, ambos os espaços arquitectónicos, Património da Humanidade, representam a beleza e a resistência como se cobrissem a iniquidade com um manto de pureza. No entanto, quando a Europa repete a história de há cem anos e as forças que encaminham o continente para os braços da ignomínia militar e senhorial, tanto de Kiev a Lisboa como de Roma a Estocolmo, quando, aqueles que lhe deviam barrar a passagem, lhe estendem de novo, tapetes cor de rosa para desembarcarem, sentimos que o futuro se encaminha mais uma vez para o abismo. No silêncio adormecido das margens do Onega, estes pensamentos desembarcam sem aviso na minha memória, quando procuro descansar nestes momentos finais do dia nos arredores desta pequena cidade destruída em 1941 pelo exército finlandês que invadiu estas terras para se juntar às hordas nazis e fechar o cerco de Leninegrado, onde centenas de milhares de pessoas viriam a sucumbir ao longo de três anos, à fome, ao frio e aos bombardeamentos. Quando percorremos a alameda central do cemitério de Piskarievskoie ao som da música de Bach com a estátua da mãe pátria ao fundo oferecendo um ramo de oliveira com um ar pungente no rosto, sentimos um estremeção na consciência que abana a racionalidade humana até aos alicerces do entendimento. Por aqui, o dia tomba, devagarinho, numa espécie de despedida entre a melancolia e a tristeza e não sabemos se desejamos regressar ou aguardarmos pela chegada da noite. Amanhã prossigo para Norte. O postal segue de imediato.


 

 

 

JORGE MÁRIO BERGOGLIO

Mário Martins

O cardeal Bergoglio cinco anos antes da sua eleição como Papa (Foto DR)



Ouvi, em tempos, a um padre franciscano, dizer que “enquanto um jesuíta faz de um labrego um doutor, um franciscano faz de um doutor um labrego”.

Decerto que o cardeal Jorge Mário, aquando da sua eleição como Papa, escolheu o nome de Francisco, inspirado pelo exemplo de austeridade e pobreza do frade católico, que viveu e morreu em Assis, na actual Itália, no século XIII, Giovanni di Pietro di Bernardone, o qual viria a adoptar o nome de Francisco, canonizado dois anos depois do seu falecimento como S. Francisco de Assis.

O que explica o sucesso, no campo ocidental, do Papa Francisco, será a sua mensagem vertical do que devia ser, à luz da pregação de Cristo, credibilizada por uma vida simples, a qual não se confunde com a horizontalidade da arte mutável do possível que é a política.

O exemplo mais contrastante entre a mensagem papal e a acção política que marca a actualidade, é o acolhimento incondicional dos emigrantes e refugiados, que buscam melhores condições de vida ou tão-só sobreviver, defendido pelo papa que agora nos deixou, enquanto a política, acossada por demagogos, (mas também pelo medo do estranho experimentado pelas populações instaladas, a que não são alheios o choque dos costumes e os atentados de natureza religioso-civilizacional), “regula” a sua entrada e permanência.

A Moral fundada no conceito cristão de irmandade humana, esbarra na errância e pragmatismo da Política, já que a maioria dos eleitores segue e influencia os ditames políticos, mal-grado o desconforto causado pela mensagem papal, que desafia as suas consciências.

Mutatis mutandis, o mesmo se diga sobre a economia “que mata”, na expressão papal, ou sobre a corrida insana aos armamentos. Apesar de protestos aqui e ali (lá onde eles são permitidos), aceita-se passivamente o “jogo” económico vigente. Enquanto que a insânia armamentista, paradoxalmente, serviu, até agora, uma paz entre potenciais beligerantes nucleares, não permitindo, sob risco de destruição mútua, que os antagonistas extravasem certos limites.

Quer isto dizer que a Moral é dispensável? Longe disso. Na esteira de Kant (para quem, em última análise, a Moral é o que nos distingue do mundo animal), ela é uma espécie de farol de iluminação dos caminhos que, sempre que se apaga, nos conduz à perdição.

POESIA

Helena Serôdio



O GRANDE CARNAVAL

Hoje houve um eclipse total.
Desceu um manto de treva sobre o sol
E eu vou ter a coragem de enfrentar o mundo
E assistir friamente á vida!

Quero vestir o disfarce de palhaço 
E ir para a rua
Tomar parte no grande Carnaval !

Vou tirar a venda que me cega,
Para viver a paisagem sempre igual
Dos que têm olhos e não vêem,
Porque o seu horizonte é um muro branco
E o espaço uma linha imaginária.

Vou selar a minha boca com mentiras 
Para falar a verdade de outras bocas,
E transformar o meu cérebro num robot

Mecanizando todos os meus gestos.
Quero esculpir na pedra bruta
Os meus sentidos
E fazer do coração um Pierrot!
Vou enforcar-me nas ameias do meu 
Castelo de fantasmas,
Destronar todos os meus ídolos,
Deter os voos do meu pensamento
E amordaçar todos os meus gritos.
Quero não ter fome além da fome
E jamais ter sede além da sede.
Quero ser simplesmente um instrumento,
Um boneco de pano que se rasga
Numas mãos curiosas de criança,
Ou um corpo opaco
Flutuando no vazio metálico do tempo!

Hoje,
Porque se apagou a luz do sol
E a terra inteira anoiteceu,
Vou autopsiar a minha alma
Como na morgue se disseca um cadáver,
E enchê-lo de trapos e serrim!

E talvez , então , eu consiga não ser eu!...



EXALTAÇÃO

Amemos, meu amor, que o sentimento
Exaltará a nossa mocidade,
A loucura febril da nossa idade
Que mais tarde será esquecimento…

Que as nossas vidas sejam um momento
Em que caiba perfeita a eternidade,
E nessa hora de plena liberdade
Disfrutemos do nosso encantamento…

A vida não é mais do que o presente,
É sonho de melódicos harpejos
Desferidos à luz de um sol poente;

E enquanto em nós viver esse fulgor,
Façamos um altar dos nossos beijos,
Sagremos de mãos postas nosso amor!...

A ROLETA

António Mesquita



"Je n'appelle pas penser penser avec des idées, ça ne sert à rien. Ce que j'appelle penser c'est penser sur une impossiblité, c'est-à-dire sur une image. C'est au moment où on ne peut pas supporter une image qu'on est sur le point de comprendre quelque chose. Le scandale de l'esprit est le commencement de la pensée."
(Alain)



O mundo já esteve louco muitas vezes e Stanley Kramer realizou uma comédia sobre isso em 1963.

Antes das eleições que lhe deram a poltrona de onde gosta de mostrar a assinatura dos seus decretos, o milionário que está na Casa Branca dizia que era preciso livrar a América de comunistas, marxistas, fascistas e bandidos de esquerda e agora entrega-se a pôr a economia  global de pernas para o ar, como qualquer maoísta dos bons tempos.

Em 2023, o sultão Al Jaber que é o CEO da Abu Dhabi National Oil Company foi nomeado presidente da COP28, a Conferência do Clima da ONU. Nessa circunstância, começou por dizer: "Aceitei vir a este encontro para ter uma conversa sóbria e madura. Não estou de forma alguma a aderir a nenhuma discussão alarmista. Não há nenhuma ciência, ou nenhum cenário, que diga que a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis é o que vai atingir a meta assumida no Acordo de Paris de 1,5°C". (Pub 041223). É verdade, e se fosse cumprida, decerto não iria chegar.

Nestas tomadas de posição, podemos encontrar duas imagens que vão muito para lá das ideias ou dos preconceitos que elas exprimem. Devíamos estranhar, segundo Alain, isto é, vê-las numa perspectiva diferente da do telejornal ou da conversa de café.

Que o homem do boné vermelho possa ter chegado onde chegou não é uma verdadeira surpresa. Ele cavalga a onda de descontentamento que varre o seu país e nisso é imitado pelo resto dos populistas no mundo. A sua linguagem sem freio, mal educada, pretensamente anti-elitista, é a cartilha de milhões de americanos e da maioria dos eleitores, como se viu. 

...A menos que esses eleitores não queiram saber das palavras fora de tom e fora da verdade para se preocuparem em  obter uma mudança, qualquer que ela seja.

Esta, porém, é apenas uma mais rebuscada explicação. Uma metáfora ajudava a sair do imbróglio. Michael Wood fala-nos sobre   a expressão da poesia chinesa "O Rio Bian Obstruído pelo Gelo»: "a imagem da água a correr «para leste, dia e noite, sob o gelo enquanto ninguém se apercebe" tornou-se uma metáfora que iria ser retratada por toda a literatura chinesa posterior."

O sistema de eleições triunfou em toda a parte, e mesmo os piores ditadores precisam de algum aval. Mas Karl Popper já dizia que ele "não  representa o povo e a opinião deste, mas tão somente a influência que vários partidos (e propaganda partidária) tiveram no eleitorado no dia das eleições. E isso torna mais difícil que o acto eleitoral seja o que podia e deveria ser: um dia em que o povo julga a actividade do governo." 

O optimismo dum Leibnitz dir-nos-ia que tudo está bem se o todo é  bom. O todo já não é o sistema político e económico (como podia ser num tempo de redes e casulos?), mas o Cosmos, isto é, o Todo (seja lá o que isso for) não é um sistema social, nem a religião das religiões, mas  inclui obviamente o humano e "tudo o resto".

O caso é que se é assim, só podemos fazer o que sempre fizemos: "tomar a núvem por Juno" e seguir em frente. É assim que somos "harmónicos". A nossa loucura e os nossos erros são a matéria não só de que os sonhos são feitos, como diria o vate inglês, mas de que a própria lei do universo é feita (sem que tenhamos a mínima noção do que significa).

Já nem se pode dizer que o "degelo do rio Bian" não está à vista e que ninguém se apercebe. Mas assim como os indígenas de África Central, de que falam alguns antropologistas (*), que para o mau olhado recorrem a um especialista que lhes encontra o feitiço certo, grandes e pequenos deste mundo acreditam em MAGAs e Chegas, ou, na muito plausível alternativa, a Roleta.


 "Médecins et sorciers" de Tobie Nathan e Isabelle Stengers
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