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01/08/26

PIRATARIAS

Manuel Joaquim




Ao longo da História deparámos sempre com a actividade de piratas que assaltavam embarcações nos mares para roubar mercadorias e afundarem ou apoderarem-se das próprias embarcações. Muitas vezes faziam-no com o apoio dos próprios governos (reis) com quem dividiam os respectivos espólios. Eram os corsários dos mares. A Inglaterra, a França e a Holanda tiveram uma grande experiência nessa actividade.

Durante o século XX, a pirataria esteve sempre presente nos mares, apesar de pouco falada, comandada por organizações de traficantes. As companhias de seguros que faziam e fazem seguros marítimos de danos de cascos e de mercadorias sempre tiveram registo de sinistros nestes ramos de seguros. É muito difícil, se não impossível, fazer peritagens a sinistros acontecidos em alto mar. Barcos “afundados” sem o serem, pintados de novo e com nova identificação, mercadorias “roubadas” no alto mar transferidas para outras embarcações para serem vendidas em contrabando por baixo preço, com as indemnizações pagas pelas seguradoras e resseguradoras.

Há uns tempos falou-se muito de assaltos a cargueiros nos mares do oriente, obrigando vários países a patrulharem esses mares. Pequenas embarcações com pessoas armadas assaltavam os barcos e roubavam mercadorias e outros bens. Parece que com a guerra no médio oriente essas actividades decresceram ou simplesmente desapareceram.

Hoje temos pirataria no Atlântico, no Báltico e no Mediterrâneo por países da União Europeia, particularmente pela Inglaterra, França e Países Baixos (Holanda), (os mesmos de séculos anteriores) sobre embarcações ditas fantasmas por não estarem registadas nesses países e os seguros não estarem em Londres e por transportarem petróleo da Rússia. Os assaltantes roubam o petróleo e vendem-no. Nesse seguimento, património é confiscado na EU e Inglaterra de cidadãos e de empresas russas e bielorrussas. Os autores estão identificados e naturalmente que as vítimas vão ter que ser indemnizadas. Quando e como não se sabe.

A União Europeia acabou de aprovar o 21º pacote de sanções à Rússia. A proposta inicial sofreu desta vez mais alterações do que aquelas que eram de prever. Além de outras situações, foi retirada por imposição da Grécia a proibição de transbordo de GNL russo para outros países e impedida por Portugal a proibição de importação de peixes russos, designadamente de bacalhau. O fiel amigo vai continuar a frequentar a mesa dos portugueses, apesar de estar a atingir preços cada vez mais altos. Entretanto já está a ser preparado o 22º pacote de sanções para ser aplicado lá para o mês de Outubro a mais 1600 empresas. A Rússia, neste momento, sofre mais de 30.000 sanções, situação inédita na História. Tudo aponta que quem sofre mais com estas sanções são os próprios países da União Europeia que deixaram de ter disponíveis grandes mercados para exportações e fontes de energia mais baratas.

Portugal não consegue exportar o vinho nas quantidades desejáveis. As uvas no Douro, este ano, vão ficar nas videiras. Não há quem as compre. A indústria de cerâmica portuguesa não é a primeira vez que pede socorro ao governo por causa dos preços incomportáveis da energia e tendo à perna a concorrência da indústria indiana. Emprega largas centenas de trabalhadores cujo desemprego pode estar à porta.

Alemanha vai encerrar fábricas, designadamente VW e BMW, com milhares de trabalhadores a caminho do desemprego. Compra gás mais caro 500% do que comprava anteriormente à Rússia. Os incêndios em Portugal, na Espanha e na França também sofrem consequências. Portugal e Espanha não podem usar helicópteros russos KAMOV por impedimento da EU. São mais eficazes e mais baratos dos que estão a ser usados que carregam menos 30% de água.

As pessoas devem estar atentas às alterações legislativas que o actual governo pretende publicar, sobre a Prestação Social Única e quais as forças políticas que apoiam ou são coniventes com essas alterações. Será menos protecção social e mais pobreza.

Como devem estar atentas ao que pretendem fazer, por indicação da União Europeia, com os fundos da Segurança Social, com pensões sociais, com depósitos a prazo e outros depósitos bancários. A indústria da guerra está sôfrega de  dinheiro.


1 comentário:

Anónimo disse...

Muito boa análise da situação atual da Europa em particular e do mundo no seu todo.

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