A revista “O Militante”, de Maio/Junho de 2026, publica um importante artigo, de Maria da Piedade Morgadinho, “O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, de V. I. Lénine – Algumas notas”, sobre o livro, concluído em 1916, referindo que “é impossível ignorar a extraordinária actualidade de questões essenciais aí abordadas”.
Revela que nos prefácios escritos por Lénine, é abordada a nova fase do desenvolvimento do capitalismo, é tratada a exploração e opressão capitalistas e é denunciado o “oportunismo em certas camadas do proletariado e respectivos líderes, particularmente aos problemas da guerra e da paz.”
A repressão czarista que antecedeu a revolução de 1917 obrigou Lenine e outros revolucionários a exilarem-se no estrangeiro. Há referências de que Lenine terá estado na cidade do Porto, na Rua das Flores, na altura em que se desenvolviam os movimentos políticos que levaram à instauração da República. Como também há referências de que um dos genros de Marx, Paul Lafargue, tenha estado na cidade do Porto naquela época. O que se passava em Portugal era importante.
O Instituto Internacional de Investigação da Paz de Estocolmo (Suécia) publicou muito recentemente um estudo sobre as despesas militares no plano mundial. Atingiram em 2025 2887 biliões de dólares. Os gastos dos 32 países da Nato somaram 1.581 de dólares, 55% dos gastos militares mundiais, mais do que a soma das despesas militares de 161 países da ONU. Pelo que é público a União Europeia está a transformar-se num bloco político militar.
Instalações de laboratórios biológicos ao longo das fronteiras da Rússia, já há muito denunciadas no Conselho de Segurança das Nações Unidas, estão novamente na ordem do dia. A instalação de armas nucleares em alguns países do norte da Europa; propostas de ataques a territórios russos e expulsão da Rússia de Kaliningrado defendidas por militares da Nato, particularmente por generais americanos, estão a agravar a situação internacional de forma assustadora.
O imperialismo, estado supremo do capitalismo, em desespero de causa, para manter a sua opressão e exploração, com ameaças e guerra está a arrastar a humanidade para um grande desastre.
A Venezuela, neste momento, está numa situação neocolonial. A soberania não existe. A guerra no Irão é uma tentativa de ocupar o país para roubar petróleo e outros produtos como é dito pelo próprio Trump. AS ameaças a Cuba e a outros países da América Latina estão na ordem do dia. A guerra na Ucrânia pode vir a estender-se ao resto da Europa.
Vitor Serrão, de Santarém, no Público, de 24 de Maio, refere-se a “A idade dos monstros” e à “Parábola dos Cegos”, um quadro de Pieter Brueghel, o velho, de 1568, onde a ignorância e a cegueira colectiva levam ao abismo. Falando em “Novos Barrancos de Cegos” obriga-nos a pensar em Alves Redol e na sua obra “Barrancos de Cegos”, publicada em 1961, que trata da família dos Relvas. Não sabemos, neste momento, se Passos Coelho chamou prostituto da política a alguém desta família, se prostituto com carácter ou se prostituto sem carácter.
É uma passagem bíblica quando Jesus faz uma crítica dizendo: “Deixai-os. São cegos e guias de cegos. Ora, se um cego conduz a outro, tombarão ambos na mesma vala.”
As dificuldades cada vez maiores com o ensino público a todos os níveis, desde os infantários, às universidades e aos bolseiros, é resultante de uma política deliberada de impedir o acesso à educação e criar elites nas classes sociais privilegiadas que têm sempre acesso ao ensino privado nacional e internacional. Dessa forma expandem o número de cegos que não conseguem ver o que se passa. Só quando as pessoas estão bem informadas e formadas é que conseguem emancipar-se e tomar decisões em consciência e em Liberdade.
O desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde para ser entregue à exploração privada está bem à vista de toda a gente. Um antigo ministro da saúde dizia “que quem quer saúde que a pague”.
A venda do Novo Banco ao segundo maior grupo bancário francês, BPCE, com um prejuízo superior a sete milhões de euros, quando o banco já estava com lucros. A venda de património imobiliário do Estado a preços de saldo (a quem?).
Os projectos há muito em curso, liderados pela União Europeia e com a conivência das autoridades portuguesas para deitarem a mão às poupanças e reservas financeiras da Segurança Social.
São situações referidas na dita comunicação social acriticamente. Estão em causa interesses vitais de toda a população. Por isso, devemos evitar cair no abismo como na parábola escrita por Mateus.
Para o próximo dia 3 de Junho está convocada pela CGTP-IN uma greve geral, contra o pacote laboral e em defesa de direitos e travagem de retrocessos. A CGTP-IN nasceu antes do 25 de Abril e é de longe a maior organização social existente em Portugal que alguns querem desvalorizar.
“As greves são feitas para paralisar a produção. Se não prejudicassem os capitalistas não serviam para nada. No entanto uma greve não é realizada com a intenção de prejudicar o capitalismo mas sim beneficiar os trabalhadores”( Mglioli, 1962)
O oportunismo que Lénine denuncia no seu livro acima referido, como é dito, continua a ser muito actual. Muitos falam em linhas vermelhas, para isto, para aquilo e para aqueloutro. Uns dizem “Não é Não” outros dizem outra coisa mas a prática é o único critério da verdade. “Candidatos nossos que estabeleçam acordos com eleitos do Chega perderão a confiança política do PS”. Palavras de José Luís Carneiro em Setembro de 2025.
Na freguesia de Ferreira do Alentejo a CDU venceu as últimas eleições com maioria relativa. CDU e PS elegeram o mesmo número de membros para a Assembleia de Freguesia, quatro. O Chega elegeu um. O PS rejeitou a proposta apresentada pela CDU: Presidente da CDU, (de acordo com a Lei); tesoureiro do PS e Secretário da CDU. Para Mesa da AF o PS indicaria dois dos três membros da Mesa, incluindo o Presidente. O PS rejeitou a proposta e apresentou a seguinte: A Presidência CDU (por imposição da Lei), o PS indicaria o secretário e o Chega o tesoureiro. O Chega duplicaria o número de eleitos, passaria a ser responsável pelas finanças da freguesia. Perante toda esta situação a CDU renunciou provocando novas eleições. Até hoje ninguém do PS nem tugiu nem mugiu. Onde estão as linhas vermelhas do PS?
Apesar de um horizonte negro que avistamos, ter a perspectiva e confiança no futuro é já uma expressão de resistência, como diz Carina Castro da CGTP-IN.
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