Helena SerôdioPARÊNTESIS
Talvez eu te deseje assim,Apenas inventado,Sem algemas,Livre,Saído do meu pensamentoComo um círio acesoQue logo se apaga.Ou nascido de um sonho indefinido,Que se dissipa com a madrugada..Ah! Não,Não te quero aprisionar,Nem possuir,Para a minha ânsia não desfalecer...Só quero que a tua presença incorpóreaRepouse, imóvel, sobre a minha carne,Que a tua sombra se alongue nas paredes da tua almaE permaneça imutável,Suspensa na noite,Quando eu te procurar...Tu encarnas o meu poema,És música na chuva que canta,Lágrima na gota de orvalho,Sol num olhar de criança.És o eterno ausente,Sem nome.Surges da nuvem que passa.
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