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01/05/26

POESIA

Helena Serôdio





PARÊNTESIS

 


Talvez eu te deseje assim,
Apenas inventado,
Sem algemas,
Livre,
Saído do meu pensamento
Como um círio aceso
Que logo se apaga.
Ou nascido de um sonho indefinido,
Que se dissipa com a madrugada..
Ah! Não,
Não te quero aprisionar,
Nem possuir,
Para a minha ânsia não desfalecer...
Só quero que a tua presença incorpórea
Repouse, imóvel, sobre a minha carne,
Que a tua sombra se alongue nas paredes da tua alma
E permaneça imutável,
Suspensa na noite,
Quando eu te procurar...
Tu encarnas o meu poema,
És música na chuva que canta,
Lágrima na gota de orvalho,
Sol num olhar de criança.
És o eterno ausente,
Sem nome.
Surges da nuvem que passa.



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