Moeda datada de 253-241 AC, representando a deusa grega da caça Ártemishttps://gulbenkian.pt/museu/deuses-olimpo-na-colecao-gulbenkian/artemis/
Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta.
Os tempos alucinados que vivemos, a fazerem jus à célebre frase atribuída a Einstein, convidam a uma evasão. O programa espacial da Nasa, nomeadamente o lunar, é uma oportunidade virtual de o fazer.
Em meados do ano que vem, será lançada a Ártemis III, com o objectivo de testar um módulo de aterragem lunar HLS, em órbita terrestre.
A primeira alunagem do programa está prevista para a missão Ártemis IV, no início de 2028.
Oficialmente, o programa visa estabelecer uma base lunar permanente, cujo início de instalação, com o lançamento da Ártemis V, está previsto para o fim de 2028, - se os prazos não derraparem ou o programa não for adiado ou, simplesmente, cancelado - como passo inicial para “missões tripuladas ao espaço profundo”.
Mas uma “simples” ida e volta a Marte, com a tecnologia actual, afigura-se empresa para tripulantes românticos suicidas. Se a Lua fica “já ali”, a cerca de 400.000 kms., Marte está a uma distância mínima de 55 milhões de kms. e máxima de 401 milhões, dependendo das relativas posições orbitais. A aproximação máxima ocorre a cada 26 meses, permitindo janelas de lançamento para missões espaciais, espaçadas no tempo.
Há vários desafios decisivos que uma missão tripulada a Marte deverá superar (Wikipédia):
- efeitos físicos da exposição a raios cósmicos de alta energia e outros tipos de radiação ionizante;
- efeitos físicos da permanência prolongada num ambiente de baixa gravidade;
- efeitos físicos da permanência prolongada num ambiente de baixa luminosidade;
- efeitos psicológicos do isolamento da Terra;
- efeitos psicológicos da falta de comunidade devido à falta de conexões em tempo real com a Terra;
- efeitos sociais de vários humanos vivendo em um ambiente “tumultuado” por mais de um ano terrestre;
- inacessibilidade às instalações médicas terrestres;
- efeitos físicos da alta velocidade de escape marciana 5 km/s dificultando o retorno.
- Uma troca completa de mensagens (pergunta e resposta) demora entre 6 e 40 minutos, dependendo da posição dos planetas.
- A comunicação pode sofrer interrupções temporárias (aproximadamente 2 semanas a cada 26 meses) quando Marte está atrás do Sol, devido à interferência electromagnética
Em suma, uma ida e volta de humanos a Marte nos próximos tempos, é pura ficção. Sem que ocorra um salto tecnológico radical, a alternativa é o desenvolvimento da robótica, apesar de, por razões financeiras, não se enviarem para o inóspito ambiente marciano equipamentos recém-desenvolvidos, mas apenas os já longamente testados, a fim de se evitarem, o mais possível, as perdas (sempre da ordem de grandeza de 1.000 milhões de dólares). Para se ter uma ideia, os robôs já enviados ao planeta vermelho custaram, cada um, mais de 2.000 milhões de dólares, a Àrtemis II 4.000 milhões, e todo o programa está orçado em 100.000 milhões.
Neste momento, por trás do objectivo de “missões tripuladas ao espaço profundo” está o desenvolvimento de aplicações militares e a inovação tecnológica em geral, bem como a eventual exploração de minérios lunares e de Hélio-3 (considerado o "ouro da Lua", é um isótopo raro na Terra, ideal para energia de fusão limpa e sem emissão de carbono), mas cuja remessa para a Terra se afigura muito custosa.
Este é o programa oficial da Nasa. Qual será o das concorrentes China e Rússia?
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