Manuel Joaquim
Todos os dias temos notícias sobre as guerras no Irão e na Ucrânia e de longe a longe sobre outras guerras que estão a acontecer em África e noutros lugares.
Sobre o Irão, os comentadores disseram-nos que o Povo sofria e que esteve na iminência de provocar a queda do regime com as manifestações que estavam a acontecer. O que é estranho é que nunca falaram da verdadeira natureza do regime político, das lutas políticas e sindicais que sempre aconteceram no Irão.
A economia nacional do Irão, após décadas de políticas neoliberais, é dominada pela classe capitalista parasitária e vulnerável às sanções dos países imperialistas. O povo do Irão, antes da guerra, enfrentava condições sociais e económicas muito pesadas. A escassez de água e de electricidade e o aumento dos preços agravam as condições de vida de milhões de pessoas. As exigências por direitos democráticos, civis, sindicais e nacionais sempre estiveram na ordem do dia. O povo iraniano considera a paz e a estabilidade vitais para alcançar a liberdade e a justiça social.
O Partido Tudeh do Irão (PTI) é um partido internacionalista com uma estreita relação fraterna com partidos comunistas e operários de todo o mundo. É o partido da classe operária iraniana e sucessor do Partido Comunista do Irão, fundado em 1920. O PCI foi proibido no início da década de 1930 pelo monarca pró-britânico Reza Xá. Na década de 1940 e no início da década de 1950, durante o movimento pela nacionalização da indústria petrolífera, o PTI desempenhou um papel influente. O golpe de Estado organizado pelos serviços secretos da Inglaterra e dos EUA (MI6 e CIA) em Agosto de 1953 derrubou o governo democraticamente eleito de Mohammad Mossadegh e restabeleceu a ditadura do Xá. O PTI foi perseguido e milhares dos seus membros e apoiantes foram presos e muitos executados. O PTI participou activamente na Revolução de Fevereiro de 1979 para derrubar a ditadura do Xá. Mas as forças islâmicas assumiram o novo regime e reprimiram ferozmente a esquerda e o PTI em particular. Desde 1983 que a actuação do PTI dentro do Irão tem sido clandestina, mas conseguiu reorganizar-se eficazmente e construir fortes laços com os movimentos laborais e sindicais, da juventude e feministas e exercer profunda influência na luta popular dentro do Irão. O PTI está a trabalhar para construir uma Frente Unida capaz de enfrentar a ditadura e as ameaças imperialistas e encabeçar a luta pela paz, democracia, soberania e por uma República Democrática Nacional.
O imperialismo nunca abandonou os seus objectivos de colonizar e explorar os povos e as riquezas dos países. Serve-se do seu poder económico e do seu poder bélico e vai colocando os seus alcagotes, como dizia um Amigo meu, Jorge Cruz, nos lugares do poder político. Os EUA instalaram à volta do mundo cerca de 800 bases militares. No Médio Oriente quase todos os países têm bases militares. Nesta guerra todas elas foram destruídas pelo Irão, apesar de Trump, nos primeiros dias de guerra, ter anunciado que as bases de mísseis, aviação e a marinha tinham sido totalmente destruídas com os comentadores de serviço, sorridentes, a dizerem que sim. No entanto, é o Irão que pelos vistos está a determinar as regras da negociação. Parece que o que está a condicionar os EUA é o escoamento das suas reservas estratégicas de petróleo. Estão a ficar assustados com o que pode acontecer durante o segundo semestre deste ano. Mas a guerra está longe de ser resolvida. ”O acordo de paz está a adiar a batalha final que se avizinha e que vai determinar o vencedor” segundo um jornal iraniano. O Irão não precisa de bombas atómicas. Provavelmente, dispõe de bombas de outra natureza mais letais que a própria bomba atómica.
O senado dos EUA votou contra a guerra, retirando poderes a Trump.
Os EUA não são uma máquina de ganhar guerras mas uma máquina de gerar lucros através das guerras.
A guerra da Ucrânia está a aproximar-se do fim?
A Rússia já não espera a implementação dos acordos de Anchorage, na altura apresentados por Trump, segundo é dito. A Rússia começa a preparar-se para o fim da guerra não através de negociações. A União Europeia, agora braço armado da Nato ao serviço dos EUA, está a acelerar a sua militarização, apontando sem rebuços a futura guerra com a Rússia, e com afirmações de dirigentes e militares importantes nesse sentido que levaram o major general Agostinho Costa a dizer numa entrevista na CNN que não sabe o que esses senhores andam a fumar.
Na primeira semana de Julho vai reunir-se em Ancara a Nato. Preparam-se para sacar aos contribuintes mais 70 mil milhões anuais para financiar a guerra. A Nato não é nem nunca foi uma organização defensiva mas sim ofensiva como se pode verificar pelas suas intervenções ao longo do tempo. Prepara-se para atacar a Rússia. Como vai ser?
Para melhor esclarecimento de todo este processo que nos bate à porta é importante ler o livro recentemente publicado do Major-General Carlos Branco “Ucrânia – Variações de uma guerra inacabada” das Edições Colibri.
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