StatCounter

View My Stats

01/10/26

EVOCANDO A GUERRA CIVIL DE ESPANHA

Manuel Joaquim





Comemora-se este ano 90 anos da Guerra de Espanha, 1936-1939, onde muitos portugueses participaram, quer directa quer indirectamente mas sobre a qual os principais meios de (des) informação não dão notícias. 

Recorda-me ouvir meu Pai falar sobre a guerra de Espanha e da II Guerra Mundial referindo que saíam de Portugal comboios de mantimentos e armas para os fascistas espanhóis enviados por Salazar com letreiros nas carruagens dizendo que eram “sobras de Portugal”, quando grande parte da população portuguesa passava fome.

Aprofundei conhecimentos sobre a guerra de Espanha conversando nos finais dos anos 60 com um colega de trabalho, António Moutinho da Rocha, no caminho trabalho – casa e casa - trabalho para almoçar em casa e no fim do dia, que me emprestou o livro “A Guerra Civil de Espanha”, do historiador inglês Hugh Thomas, editado em 1961, na época a melhor publicação.

A revista de Agosto de 2026, do SINTEL,  publica um trabalho de Sónia Duarte, professora e investigadora, com o título “Nos 90 anos da guerra de Espanha – A participação portuguesa e o papel dos comunistas”. Refere a obra de Manuel Tiago,  "A Casa de Eulália”, que retrata “as vivências de um grupo de portugueses durante a guerra de Espanha (1936-1939) dando voz às perceções da comunidade portuguesa sobre a guerra…”. Refere trabalhos de César Oliveira,  Iva Delgado, Varela Gomes. Manuel Loff, José Saramago, Viale Moutinho e Domingos Abrantes.

A revista O Militante, de Setembro/outubro de 2026, publica o texto “Guerra de Espanha (1936-1939). A verdade e a mentira 90 anos depois”, de Domingos Abrantes, dirigente histórico do PCP, profundo conhecedor da política nacional e internacional, foi deputado na Assembleia da República e foi membro do Conselho de Estado.

Interpreta os acontecimentos de hoje na Europa à luz dos acontecimentos da guerra de Espanha e da Segunda Guerra Mundial, considerando “Este artigo, para assinalar os 90 anos do começo da guerra, não é mais do que um contribuo para a batalha da memória da luta antifascista e contra a falsificação da história, uma questão candente na situação política actual, centrando-se em algumas questões que consideramos essenciais”. Novos dados são revelados sobre decisões das diversas forças políticas que merecem profunda reflexão. A não perder a leitura.

No princípio deste mês de Setembro estive a falar na Festa do Avante! Com José Tavares, economista, reformado bancário, da Caixa Geral de Depósitos, natural de Portimão, sobre diversos assuntos, entre os quais a Guerra de Espanha. Falou-me da Tragédia de Cádis, que aconteceu 18 de Agosto de 1947, fez 79 anos, que eu nunca tinha ouvido falar. Deu-me a conhecer um artigo de sua autoria publicado no Jornal do Algarve em 18 de Agosto de 2022, que pode ser consultado  (https://jornaldoalgarve.pt/tragedia-de-cadis-foi-ha-75-anos/) data de aniversário de tal acontecimento. 200 toneladas de TNT em mais de 1200 minas submarinas e cargas de profundidade que estavam armazenadas num pavilhão da base naval em condições deploráveis, de fabrico alemão. Essas bombas destinavam-se a ser lançadas naquela zona sul de Espanha para a proteger de iminente desembarque das forças aliadas, o que não veio a acontecer, pois o desembarque fez-se na Sicília. Acontece que esse material explodiu em resultado das péssimas condições em que se encontrava armazenado. A explosão ouviu-se em todo o Algarve, e como a base estava inserida numa zona de bairros operários as vítimas foram muitas. Inicialmente a explosão foi atribuída a elementos antifascistas mas depois apurou-se que o algodão pólvora, componente fundamental do material explosivo (material que EUA, têm hoje escassez para a fabricação de bombas) provocou o acidente.

A Censura não permitiu qualquer notícia sobre o assunto. Aproveitou a morte de Manolete, grande toureiro, para não dar cobertura ao acidente.

São assuntos que vamos conhecendo ao longo do tempo.

A crise do sistema está em marcha. A guerra na Ucrânia, a guerra com o Irão, com todas as consequências previsíveis e imprevisíveis, estão a provocar alvoroço nas elites dirigentes por não estarem a dar os resultados inicialmente previstos.

As disponibilidades financeiras para alimentar a guerra e a economia estão a faltar. Começam a rapar o fundo ao tacho. A “União da Poupança e do Investimento SIU)” é uma iniciativa da União Europeia para mobilizar as poupanças privadas dos cidadãos europeus e direcioná-las para o mercado de capitais com o objectivo de financiar áreas da defesa e segurança. Mas as dificuldades existem. Os alertas do Banco de Portugal para o nível do crédito existente assumido pela banca, apesar de pregarem que está tudo bem, são sinais de que algo está para acontecer.

Quem está a dirigir esse processo é a nossa conhecida Maria Luís Albuquerque, comissária europeia para os serviços financeiros, que foi professora de Passos Coelho e sua ministra das finanças no seu governo, de triste memória. Pretende avançar no primeiro trimestre de 2027.

A contestação ao governo está a aumentar nos mais diversos sectores. Até os empresários começam a contestar as políticas do governo. O problema dos combustíveis vai refletir-se em toda a economia. A Rússia não permite a exportação de gasóleo. Trump está a apontar para o racionamento e a não exportação de gasóleo. A situação no médio oriente é cada vez pior.

Já vi a ministra do ambiente a voar numa vassoura como corolário de mandar poupar nos combustíveis.

Soubemos agora de forma mais clara que as nossas reservas de combustível estão depositadas em França e noutros lugares. A transferência implica milhões de euros. Como é possível? Não acontecerá a essas reservas o que está acontecer com as reservas monetárias de alguns países? Numa situação de emergência os países que guardam essas reservas não vão poder utilizá-las? Quem propôs e apoiou o desmantelamento da refinaria de Matosinhos?

Como vai ser?

A propaganda da guerra a fim de criar a sensação de guerra imediata contra a Rússia, está criando condições para a nossa vida girar toda à volta do medo. Entretanto as elites defendem os seus privilégios e os eleitores permanecem marginalizados.

Os “democratas” trabalham afincadamente para se manterem no poder. As eleições na Alemanha foi um balde água fria. Ainda tentaram proibir o partido AfD com o argumento que não cumpria a constituição, mas tiveram medo. Em 7 de Agosto de 1956 o KDP (Partido Comunista Alemão) foi proibido até hoje. O governo alemão naquela época, enxameado de nazistas com a conivência de outros, tomou essa iniciativa. Como eles não se apagaram mantêm-se vivos.

Vamos estar atentos ao que se vai passar.

3 comentários:

  1. Muito bem Manel excelente e oportuno texto.
    Abraço RC

    ResponderEliminar
  2. Isabel Melo01/10/26, 15:26

    Como sempre oportuno e bom artigo sobre a guerra.

    ResponderEliminar
  3. Vamos estar atentos...angustia antiga. Obrigada por trazeres a Guerra Civil de Espanha , as suas memórias, ao presente. Que ajudem a despertar consciencias, para que não volte a acontecer.

    ResponderEliminar

View My Stats