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01/03/19

NO CORRER DOS DIAS

Marques da Silva



Levas-me pelos caminhos românticos deste jardim, abrindo-me as suas portas como se fosse uma visita guiada. Procurei-o quando pretendia ver Darwin na sua expedição descobridora que alteraria o olhar da humanidade sobre si própria e assim cheguei até ti e nele usufruí de um dos mais bonitos encontros da vida. De seguida tornou-se um espaço que é um misto de refúgio, de lembranças e recordações, de sonhos que desejava fossem reais. A Sofia, não a poetisa, mas antes uma jovem bióloga, apresentou-se. Falou com poesia da Casa Andersen, das suas simetrias e que aquando da sua construção destinou-se a um armazém de pólvora. Mais tarde, adquirida pelos avós da poetisa, a qual, na verdade nunca chegou a viver ali, mas antes um pouco adiante, na Rua António Cardoso, na Casa Cordeiro. Esta casa, cuja quinta possuía o dobro do tamanho, chegando até ao rio, até ser cortada pela VCI, era o seu espaço de lazer e repouso, de descanso e passeio e lhe marcou a infância. À entrada do lado direito a Sofia, a bióloga, mostrou-nos uma araucária. Espanto-me com esta gigantesca árvore tão presente na poesia de Neruda por ser oriunda da sua terra natal. Pensar no poeta, foi pensar num tempo de alegria e nas palavras que escreveu e fui soletrando ao vento, «as minhas palavras chovem sobre ti acariciando-te» e eu a desejar voar com elas em visita a esse espaço onde habitam os silêncios. Mostrou-nos a árvore do âmbar, o liquidâmbar. Prosseguiu caminho e explicou que as hidranjas são plantas invasoras nos Açores e que começam a tornar-se problema, pois vão diminuindo o espaço das plantas autóctones. Falou-nos dos plátanos e como as suas folhas se confundem com aquela que faz parte da bandeira do Canadá, e das bétulas, até pararmos junto ao jacarandá, mais conhecido como pau-santo, santo por ser com esta madeira que se construíam as igrejas no Brasil. Disse-nos também que quando a sua flor azul avioletada cai, transforma o caminho num tapete azul. Estamos agora junto aos cactos mas ao tentar fotografar pormenores, recantos, já não alcanço a explicação da totalidade. Entretanto, já havíamos apreciado, o alecrim e o tominho. Paramos agora junto dos dragoeiros e podemos apreciar o bosque que em tempos ali se iniciava e descia pela Arrábida. A estrada roubou as árvores e o silêncio, a tranquilidade. Estamos a meio e o meu pensamento passou a deambular em sonho. A árvore-da-borracha e o pau-brasil, aparecem já como som de fundo. Os lagos de nenúfares e papiros sobre o antigo campo de ténis são um momento de descanso. Caminhamos e aproximamo-nos da fonte que aparece na história do menino de bronze. O roseiral extenso, com alfazema, que serve para afugentar os mosquitos nas noites de Verão, e os lírios. Por fim, o jardim mais romântico do conjunto, o J, construído pelo avô da Sofia, a poetisa, para a Joana a sua avó. Tudo é bonito e belo. Deixo o olhar nas açucenas amarelas e no caramanchão sobre o banco. A Primavera faz viver o Outono. Estamos junto à entrada e o meu olhar e pensamento voam para o fundo do tempo, onde reina outra fragrância, outra beleza, outro aroma, outra alegria, no silêncio dos momentos infinitos e inesquecíveis. Lá dentro, no interior da casa grande, reinam cópias dos livros da poetisa, não dos que escreveu, mas dos que recebeu com palavras dedicadas, de ternura e carinho. E foram muitos, de homens e mulheres que admiraram o seu fulgor poético, a sua Grécia elevada no azul mediterrânico, ou a dignidade humana que outros cantaram. A tarde tomba devagar enquanto o sol penetra pelas janelas num banho de luz que nos acaricia enquanto contemplamos e lemos. No fim, ficamos sempre com aquele vazio na alma que nos faz ter vontade de regressar ao início, mesmo sabendo que a viagem, tal como a vida, já vai declinando para o crepúsculo.

O Estado espanhol prossegue em directo a farsa de julgamento dos presos políticos catalães, aos quais já condenou de antemão. O Partido Ciudadanos hesita, metaforicamente, entre a prisão perpétua e o fuzilamento; o Partido Popular não tem dúvidas: fuzilá-los e o antro de imundície que dá pelo nome de VOX, fuzilava-os todos os dias, e há cerca de 50% de espanhóis que se prevê votem nestes partidos. Na verdade, não conseguimos aprender nada com a história. 

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, manifestou-se consternado com a morte de três pessoas nos incidentes ocorridos na fronteira da Venezuela com o Brasil, aquando da tentativa frustrada da entrada ilegal de veículos com suposta ajuda humanitária; Qualquer morte de um ser humano é sempre de lamentar, mas ao fim de um mês de manifestações dos coletes amarelos em França, registavam-se 6 mortos, mais de 1400 feridos e milhares de detenções (http://visao.sapo.pt/actualidade/mundo/2018-12-14-Os-numeros-impressionantes-de-um-mes-de-coletes-amarelos) e nem uma palavra de consternação se ouviu do dito secretário-geral!

Já tínhamos no Brasil, Tiririca como um palhaço deputado e outro em Itália. Agora temos um deputado palhaço na Venezuela. Este é ventríloquo. Falam em Washington e ele repetia na Venezuela. Auto-proclamou-se presidente do país, no meio da rua em cima de um palanque. Nicolás Maduro foi eleito presidente com mais de 6 milhões e duzentos mil votos, Juan Guaidó foi eleito deputado com pouco mais de 90 mil. O espantoso é que este espectáculo grotesco foi reconhecido por 50 governos. Os EUA e o cartel de Lima, não é surpreendente, mas o número de países europeus, é demonstrativo de que a democracia entrou em terreno lamacento.

O impagável Augusto Santos Silva, reconheceu Juan Guaidó como presidente da Venezuela e de seguida foi solicitar ao governo de Maduro que permitisse a entrada de jornalistas portugueses, retidos no aeroporto por falta de autorização! Disse então que se dirigiu a quem controla as forças de segurança! O que controlará então o tal Juan Guaidó?


A SITUAÇÃO DO PAÍS

Manuel Joaquim

https://www.publico.pt/2018/03/20/politica/noticia/eleicoes-europeias-decorrerao-a-26-de-maio-de-2019-em-portugal-1807299



No próximo dia 26 de Maio vão realizar-se as eleições para o Parlamento Europeu cuja campanha está a realizar-se com muito empenho. Muitos locais estão a ser decorados com grandes fotografias de candidatos conhecidos e desconhecidos. O objectivo é a conquista de votos. Para muitos são lugares apetecíveis, são lugares ao sol.

A situação do país não é discutida com seriedade. A chicana política é o prato de todos os dias nas rádios, nas televisões e nos jornais para alimentar as conversas de café sobre assuntos tratados superficialmente e sem racionalidade. É a podridão a entrar nas mentes das pessoas sem quaisquer meios de defesa. É óbvio que existe uma orientação clara para atingir determinados objectivos.    

Os problemas da dívida pública e privada, com os respetivos encargos financeiros e a consequente falta de capital, os défices da produção, da agroalimentar, tecnológico, energético, de mão-de-obra e de mão-de-obra qualificada, a perda de capacidade de intervenção em sectores e em empresas estratégicas, designadamente no financeiro, hoje dominados por capitais estrangeiros servindo interesses que não os do país, não são tratados de forma esclarecedora com os portugueses.

Segundo o Relatório do Orçamento do Estado para 2019, os juros pagos pela dívida pública serão equivalentes a 3,3% do PIB, cerca de 6,9 mil milhões de euros por ano. Cerca de metade de divida interna é detida por instituições nacionais públicas e privadas e por aforradores/investidores. Em 10 anos Portugal pagou cerca de 73 mil milhões de euros de juros da dívida pública. Para os próximos cinco anos são mais 34 mil milhões de euros.

Quando se conhece que Portugal tem a maior zona exclusiva de pesca da EU e tem um saldo negativo na balança de pescado em mais de mil milhões de euros o que se pode pensar? O trigo produzido dá para 15 dias do ano, o milho dá para 4 meses e importamos 100 mil toneladas de arroz por ano. No leite somos autossuficientes para importamos 50 mil toneladas de queijo e 75 mil toneladas de leite. Falar da batata, da carne, da fruta, do azeite é falar das situações de desespero das pessoas que vivem nesses sectores. O Ministério da Educação compra maçãs francesas para oferecer nas escolas. 

O SNS tem sido o alvo dos grupos económicos da saúde. Pretendiam que o SNS se transformasse numa plataforma de transferência de dinheiros públicos para eles. Tirar ao Estado a sua verdadeira função. Os privados já têm mais de 50% das unidades de saúde existentes. 

São assuntos que merecem ser acompanhados com muita atenção. Das respostas que forem encontradas resultará um Portugal melhor ou um Portugal pior. E nessas respostas temos um papel a desempenhar.

01/02/19

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UM CERTO AMARELO

António Mesquita
("Trigal com corvos" de Van Gogh)

A simbólica das cores tem mudado ao longo dos tempos. O amarelo, ligado ao sol e ao oiro, já foi um atributo dos deuses, como Mitra, na Pérsia, e Apolo, na Grécia. Na Antiga China, era a cor do imperador, centro do universo, como o astro-rei e o famoso inquilino de Versalhes. O amarelo é a cor das espigas maduras e da terra no Outono. Além disso,  há aquele ditado que reza: "se não fosse o mau gosto, o que seria do amarelo?". Mais recentemente, essa é a cor dos coletes retroreflectores que todos temos de trazer no carro.

O fenómeno dos 'Gilets Jaunes' trouxe à política uma simbologia nova, ligada às emergências da condução, ao perigo na estrada, mas também a uma situação em que o indivíduo se encontra isolado na  cápsula automóvel que é sua responsabilidade. No movimento dos 'Coletes Amarelos' não houve só um desvio de função na indumentária obrigatória. Houve uma acção colectiva, digamos, de segundo grau, porque os indivíduos conservam, de algum modo, aquele vínculo com o automóvel. Talvez por isso o movimento  tenha resistido à hierarquia e à organização. 

Percebe-se o alcance simbólico disso. A acção política e social ganha  um novo poder expressivo, um novo dispositivo de acção, quaisquer que sejam os objectivos. Envergar o colete numa acção de rua significa já uma ideia, uma posição. Porque o colete é uma espécie de farda. O movimento poderá 'fazer escola', repetir-se, para outros desígnios,  sem cair no ridículo ou na irrelevância? Não é uma profissão que identifica os intervenientes, apenas um acessório do seu porta-bagagens.  Se é a cidadania, é uma cidadania fardada.

O amarelo acaba de levar uma volta na simbologia da política e do sindicalismo. Porque é verdade que, no século XX, 'amarelos' eram os sindicatos que punham em causa a unidade operária, 'amarelos' eram os 'fura-greves'. Amarela era também a estrela com que os nazis  quiseram marcar os judeus, e talvez precisemos de recorrer  à poesia para identificar o amarelo com a traição e a cobardia (yellow), por exemplo. Assim, de um momento para o outro, o contexto parece ter tornado estas conotações inactuais. E se não é a cor dos atributos de Apolo que podemos invocar, já não é também a palidez de Judas ou de Iago. 

Dir-se-ia que isto é lateral à política, mas não deixa de ser uma mudança de referências. É como dizer que o vermelho já não é a cor da Revolução. 

Este tempo de tecnologia vertiginosa sugere-nos que talvez precisemos de aprender a viver com a mistura e o precário, onde os signos e os valores se trocam como  numa grande Bolsa.

Mas essa é a atracção própria da vertigem. E alerta-nos para esta verdade esquecida: o tempo torna-se, cada vez mais, um objecto de conquista. Não se muda de paleta, acrescentam-se novas cores. Não é o amarelo do sol, nem o da traição. É o dos coletes.


UM COLETE NA ENGRENAGEM

Mário Martins


https://www.google.com/search?q=COLETES+AMARELOS+IMAGENS

Estava a sociedade na sua vidinha, "avec ses églises et ses châteaux, ses lumières", os seus costumes e tradições, as suas instituições, o seu estado e o seu mercado, a sua liberdade e democracia, as suas elites, o seu governo e a sua oposição, as suas leis, os seus partidos e sindicatos profissionais, as suas relações de poder, a sua corrupção e delinquência, as suas manhas, o seu terrorismo, os seus divertimentos, as suas paixões e dramas, os seus telemóveis, a sua televisão, a sua internet e redes sociais, os seus ricos e muito ricos, os seus pobres, os seus miseráveis sem tecto, as suas classes do meio, estava, enfim, a sociedade a funcionar perfeitamente na sua rotina e no seu fatalismo, e eis que, 50 anos depois de sofrer o abalo do Maio de 68, e novamente de forma inesperada e vinda sabe-se lá de onde, irrompe a revolta dos coletes amarelos. 

Não que os dois movimentos se possam confundir pois isso seria confundir a poesia com a prosa. Maio de 68 foi, inicialmente, uma revolta de costumes estudantil que queria o fim da separação dos dormitórios para raparigas e rapazes, que depois alastrou política e socialmente, mas que nunca perdeu o seu carácter juvenil, poético e utópico, presente em palavras de ordem como: “Sejam realistas, exijam o impossível” ou “É proibido proibir”.

Já os coletes amarelos, mais maduros, lutam por uma distribuição mais justa e por uma diminuição do fosso entre os cidadãos e os decisores políticos, e é por isso que a grande maioria dos franceses simpatizou com o movimento. 

O que é similar nos dois movimentos é a sua emergência inorgânica e imprevista e o uso da violência. Adepto da não-violência, da cidadania responsável, da liberdade e da democracia (e, por oposição, adversário das ditaduras e dos populismos), não escondo, no entanto, que me agrada, em primeiro lugar, que as elites poderosas, afortunadas e arrogantes descubram, repentinamente, que têm barro nos pés, mas também que sejam abaladas as restantes camadas da sociedade que, assentes num relativo bem-estar, ignoravam essa nova classe dos chamados excluídos da globalização com o mesmo espírito conformista que as leva a tolerar a condição das pessoas sem abrigo.

A sociedade francesa terá novamente de lamber as feridas. O desejável regime de liberdade e democracia não pode servir de caução a gritantes injustiças e a excluídos.  

Politicamente, à conversa monocórdica das reformas estruturais, do crescimento do PIB, da diminuição do défice e da dívida públicas, vai ter que juntar – “hélàs” - a conversa dura da distribuição…


NO CORRER DOS DIAS

Marques da Silva



A manhã encerra-se num frio chuvoso, triste, solitário, debaixo de um céu prateado de nuvens e os sonhos surgem interrompidos, desmaiados na sua caminhada voadora pelas irregularidades da orografia terrenal. A vida, aparece como uma viagem sem rumo e a utopia que nos guiava, parece até, por alguns instantes, selada no interior de uma pedra que o cinzel laborioso não consegue abrir. Lembramo-nos de pensar no amor, nesse sentimento que agrega afectos e ternuras, mas também ele tão longínquo que não há ponte que possa unir a margem onde nos encontramos, àquela outra onde vive. “Erguem-se muros em volta, do corpo quando nos damos”, escreveu o poeta num tempo em que amar era a construção da vida, na serenidade dos dias sem medo. Os fantasmas chegam sempre pela noite, pela escuridão calada, como sombras envenenadas de ruas que se desenhavam puras. De dia disfarçam-se em chuva e inundam as pedras dessa humidade bolorenta onde germina a maldade humana. Se houve épocas em que caminhar de mãos dadas lhes obstruía a passagem, o desgaste do tempo até o amor confiscou, e vemos escorregar em inclinada penedia, as palavras amantes que nos ressuscitavam a cada madrugada e até os olhares cristalinos de pureza, nos roubaram, pelas longas ausências. O futuro não o vemos, emerge sem rota, desaparece também como semente humana de justiça e de verdade. Já não vivemos de ilusões, esmagadas que foram por blindados camuflados, não de palavras poéticas, mas tão só do veneno de poderes insaciáveis. Caminhamos cegos na perdição do presente visível e a tua companhia não sobreviveu a tanta loucura sedutora. Talvez por isso chova, lágrimas últimas de um amor que pereceu nas areias pedregosas de um litoral que apenas escutava um outro poeta, “sou barco, abandonado, na areia ao pé do mar”. Sophia nasceu há cem anos e agora apenas a minha memória percorre os seus jardins povoados de verdes e de arvoredo majestoso onde o ruído da modernidade apaga os sons do rio, em baixo, no seu diálogo com o oceano. A fonte permanece no espaço que sempre preferi, com o seu fio de água interminável num cântico sussurrante e cativador. Já não passeio as áleas do seu jardim onde regressou por um mês. Pesam sobre elas, gotas de chuva, lágrimas de desconsolo pelo que foi chegando, mas os seus recantos idílicos ainda me levam àquele relato que se reteve na memória, pese embora o olvido das palavras certas: Sobes a pequena colina, por uma estrada em terra. No cimo, encontras uma igreja de paredes brancas. Entra devagar, procura no que não vês, o sonho do teu futuro. Não precisas rezar, basta-te o olhar. O que vires estará no caminho que falta percorrer.

Dão-nos essa alegria de exprimir o pensamento, as palavras, e agarramo-nos a elas para conversar com a solidão. A noite chegou, vagarosa e subtil, como se fosse tempo de Primavera. Vi as luzes acenderem-se e lentamente desenharem sombras nas pedras da rua e um olhar de princesa apareceu desenhado por elas, um olhar de ternura, tranquilo, afagador, como procuro quando a fadiga ganha a batalha sobre o corpo.

Para os partidos espanholitas quando um cidadão cubano é detido por infringir leis sociais ou constitucionais, é um preso político, mas se for um político da Catalunha, é apenas um político preso!

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez chamou «tirano» a Maduro por responder «com balas e prisões às ânsias da democracia». E eu, ignorante, a pensar que se referia à Guardia Civil e à Polícia Nacional, do Estado espanhol a responder com «balas e prisões às ânsias de democracia» dos catalães.

No Estado espanhol há políticos presos há 13 meses sem qualquer julgamento, certamente em nome da liberdade, da democracia e dos direitos humanos de Pedro Sanchez.

O ex-esquerdista e actual ministro dos negócios estrangeiros, disse em entrevista que «o tempo de Maduro chegou ao fim». Certamente referia-se ao tempo político! É com alguma ansiedade que aguardo que também decrete que chegou ao fim o tempo do príncipe Salman ou do general Al-Sissi, conhecidos democratas do Médio Oriente, profundos adeptos de «eleições livres e democráticas»!





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